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50 anos de Taekwondo no Brasil (1968 - 2018), para além de uma disputa de narrativas.

50 anos de Taekwondo no Brasil (1968 - 2018), para além de uma disputa de narrativas.

Não seria equívoco considerar que os anos de 1968 e o de 2018 guardem alguma similaridade, embora ½ século já tenha se passado, tensões sociais e políticas, insegurança e incerteza no futuro, causadas pelo tensionamento social nestes dois momentos distintos da história, talvez, substancie uma percepção de similaridade. E neste delta temporal de 50 anos de história da nossa experiência social o Taekwondo surgiu, se instituiu, se firmou e ganhou espaço como arte marcial, esporte de combate, escolar, universitário, militar, olímpico, etc. Em meio as tensões políticas que o país vivia em 1968, a cidade de Recife/PE acolhia um coreano clandestino que chegou se embrenhando em meio a nossa cultura, garimpando oportunidades, procurando e abrindo espaço para a entrada do Taekwondo no cenário esportivo e marcial brasileiro. 50 anos mais tarde, ano de 2018, os praticantes desta modalidade ainda encontram dificuldades em reconhecer as diferentes facetas que construiram sua história. Além disto, abrem-se as portas em definitivo para um novo redesenho na formatação da modalidade do ponto de vista da oficialidade institucional, de modo que, a entidade que controla a o Taekwondo na sua franquia “olímpica” passa a perceber que há diferentes formas de se praticar e organizar a modalidade no Brasil para além dos esquemas de controle da oficialidade. A partir daqui, ganha forma e proeminência outros agrupamentos taekwondista, além das demais organizações já existentes. E se isto não é pouc...

Resenha sobre o livro - “Uma Arte Mortal: A História não contada do Tae Kwon Do”

Resenha sobre o livro - “Uma Arte Mortal: A História não contada do Tae Kwon Do”

  “Uma Arte Mortal: A História não contada do Tae Kwon Do” foi escrita pelo jornalista canadense Alex Gillis. Alex começou a treinar a arte marcial quando novo e ao longo de sua vida teve contato tanto com o Tae Kwon Do conhecido como tradicional da ITF, quanto com o Tae Kwon Do Olímpico da WT. Um de seus primeiros instrutores foi o coreano Jong-soo Park, que no passado foi um dos pioneiros mais importantes do General Choi. A sua profissão e este background incrível serviram de basepara um dos livros mais importantes sobre a História do Tae Kwon Do que já foi publicado. O que talvez diferencie esta obra das demais é o fato dela ser resultado de uma investigação jornalística que é tanto meticulosa quanto abrangente. Ao longo de anos, Alex entrevistou dezenas de instrutores que fizeram parte da construção da própria arte marcial. Entre os vários nomes de peso, para citar apenas alguns, estão Nam-te Hi (braço direito do general Choi no início da ITF), Chang-keun Choi (Um dos Ases do Tae Kwon Do), o próprio Choi Hong-hi, Un-yong Kim (fundador da WT e do Kukkiwon), Jhoon Rhee (o pai do Tae Kwon Do norte–americano), entre muitos outros. Esta grande quantidade de informações que ele reuniu acabam se encaixando numa narrativa envolvente que foi descrita pela Quill & Quire: “parece mais um romance de espionagem do que uma história”. Acho que esta crítica não poderia ser mais oportuna porque, durante todo o período em que conversei com o jornalista, ele sempre falou que a mai...

Velha, “Nova CBTKD”: Tudo como dantes no quartel d’Abrantes.

Velha, “Nova CBTKD”: Tudo como dantes no quartel d’Abrantes.

                      Já faz algum tempo que largamos mão de ficar criticando a gestão da entidade que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro. A conclusão que chegamos é que não vale a pena! Se a mídia crítica, ainda que de forma implicante, apontando erros, equívocos e negligência, incomoda, pior fica quando nossos dirigentes acabam tentados a correr pra barra da saia da justiça pra não verem seus “chafurdos” chafurdados. E quando não apelam pros tribunais com recursos da entidade ou dos lucros com exames de faixas, se apresentam com a maior cara- de-pau – pinta de algozes vitimizados - ao não reconhecer que se há um bônus em ocupar cargos em mandatos de representações coletivas, há o ônus das cobranças. Não por acaso, temos dirigentes intragáveis que mesmo percebendo o apequenamento de seus redutos representativos e suas respectivas entidades perdendo representação, credibilidade e, portanto, sua legitimidade, ainda acham normal se apossarem de cargos eletivos por toda uma eternidade. Esta resenha vem ao ar por conta de uma matéria que veio a público recentemente na Revista Budo <http://revistabudo.com.br> revelando uma ação na qual, ... “expõe fraudes e vícios do processo que elegeu Alberto Cavalcanti Maciel Júnior e deu início a uma gestão fundamentada em desmandos e ilicitudes jurídicas na Confederação Brasileira de Taekwondo.” ... “Inconformado com o desfecho de um pleito absurdo, (...), o ex-presiden...

A experiência de escrever a edição brasileira do livro “Uma Arte Mortal: a História não contada do Tae Kwon Do”

A experiência de escrever a edição brasileira do livro “Uma Arte Mortal: a História não contada do Tae Kwon Do”

  (A Killing Art: The Untold History of Tae Kwon Do), do escritor canadense Alex Gillis.     Gostaria de, primeiramente, agradecer esta oportunidade de compartilhar minhas experiências ao traduzir, pesquisar, entrevistar e escrever para a edição brasileira do “Uma Arte Mortal: a História não contada do Tae Kwon Do” (A Killing Art: The Untold History of Tae Kwon Do), do escritor canadense Alex Gillis. Esse projeto bacana surgiu por algum acaso anos atrás na minha academia em Porto Alegre, quando eu terminei de ler a primeira edição do livro. Como já tinha relatado antes, eu fiquei fascinado por seu enredo, pois era a primeira obra que eu lia que contextualizava a nossa arte marcial, explicando a origem de várias histórias que nos eram contadas e que somente agora faziam sentido e justificavam o Tae Kwon Do ser o que ele é hoje. O livro não era sobre uma arte marcial milenar treinada por guerreiros lendários, era sobre uma arte marcial moderna e nacionalista usada para empoderar uma nação devastada pelo Período Colonial Japonês e que se envolveu em guerras, espionagem, intrigas e corrupção. Como professor, recomendei a leitura a todos os meus alunos porque considerei uma obra obrigatória para qualquer praticante de arte marcial que desejasse se aprofundar na história do Tae Kwon Do. Na prática, muito poucos acabaram lendo porque não entendiam inglês – e isto é uma dura realidade de nosso Brasil. Além de termos poucas obras boas sobre Tae Kwon Do em português, tem...

Uma Arte Mortal: A HISTÓRIA NÃO CONTADA DO TAE KWON DO

Uma Arte Mortal: A HISTÓRIA NÃO CONTADA DO TAE KWON DO

(A Killing Art: The Untold History of Tae Kwon Do).   No ano que se completa 50 anos do Ensino de Taekwondo no Brasil, um lançamento literário à altura desta data comemorativa: meio século de atividade desta arte marcial em solo brasileiro. Nesta etapa, em auxílio às pessoas envolvidas nesta importante empreitada, nos colocamos a disposição para que mais pessoas tomem conhecimento deste lançamento. Neste primeiro momento levamos ao conhecimento público, como parte deste projeto literário, é um Financiamento Coletivo (Crowdfunding) do Livro Uma Arte Mortal: A História Não Contada do Tae Kwon Do. Esta edição brasileira é uma tradução revisada da 2ª edição em inglês do livro. Além disso, contará com 100 páginas exclusivas a mais com a história do Tae Kwon Do no Brasil. Mais informações:      *No Facebook <https://www.facebook.com/artemortal/>      *No YouTube < https://www.youtube.com/watch?time_continue=17&v=TJtYPyhccoI> O Crowdfunding ocorrerá do dia 05 de setembro ao dia 20 de outubro de 2018. Os apoiadores receberão os livros e outros benefícios adquiridos até dezembro de 2018. A ideia inicial é produzir uma tiragem de 500 livros da inédita edição limitada brasileira. Para contribuir com este projeto: <www.alster.esp.br/artemortal> Os interessados poderão contribuir e comprar o livro pelo site do crowdfunding. Após 45 dias de financiamento, sendo atingida a meta financeira, os livros serão impressos e entregues aos apo...

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Entrevista histórica com o grão Mestre Yong Sul Choi

Entrevista histórica com o grão Mestre Yong Sul Choi por ocasião de sua visita aos Estados Unidos em junho de 1982

Mr Choi em que circunstância o Sr. foi morar no Japão?
Quando eu era criança, vivia na aldeia Yong Dong na província Chooong Chung na Coréia. Naquele tempo havia muitos japoneses em minha região, justamente devido a ocupação nipônica na península. Eu me tornei conhecido do Sr. Morimoto o qual não tinha filhos. Quando o mesmo decidiu retornar para o Japão ele me seqüestrou e levou-me junto pretendendo que e eu seria seu filho. Eu não gostava deste homem e por causa de minhas queixas e choro ele me abandonou na cidade de Moji logo após nossa chegada ao Japão. De Moji eu viajei sozinho para Osaka. Eu logo entrei em desespero, perambulando sem rumo, fui então apanhado pela polícia. Quando as autoridades descobriram que eu não tinha família no Japão, eles então conseguiram colocar-me em um templo budista. Eu vivi sob os cuidados do monge Kintaro Wadanabi por dois anos.

Quantos anos o Sr. tinha, quando foi seqüestrado?
Eu tinha cerca de 8 anos.

Quais circunstâncias levaram-no a morar na casa de Sokaku Takeda?
Enquanto eu vivi no templo, fiquei fascinado pelos murais e pinturas os quais retratavam batalhas e famosas cenas de artes marciais exibidas em todo o templo. Quando o tempo passou, Wadanabi perguntou-me qual direção eu tomaria para minha vida. Eu imediatamente apontei para a cena na parede retratando as artes marciais e disse que era isto que eu queria. Kintaro Wadanabi era muito amigo de Sokaku Takeda e apresentou-me a Takeda. Sokaku Takeda gostou de mim e demonstrando grande compaixão por minha situação, decidiu adotar-me. Após adotar-me, ele me deu o nome de Asao Yoshida. Eu tinha onze anos nesta época.

Em que cidade localizava-se o templo budista onde o Sr. morou?
Em Kyoto.

Em que região localizava-se o dojang e a casa do Sr Sokaku Takeda?
Sua casa e seu dojang situavam-se na montanha Shin Su na região de Akeda.

Como era seu treinamento com Sokaku Takeda?
Sokaku Takeda era o chefe da Daito Ryu Aiki Jutsu. Eu vivi em sua casa e aprendi sob sua direção pessoal por mais de 30 anos. Eu era seu assíduo aluno, a por vinte anos de meu treinamento eu fiquei recluso em sua casa na montanha.

Takeda era o professor da família real japonesa. Vocês estiveram envolvidos pessoalmente no ensino para a família real?
Sim, naquele tempo, eu era o professor assistente em todas as aulas. E em Tóquio nós ensinamos para as mais altas autoridades do governo japonês. Também viajamos para várias regiões do Japão e ensinamos vários grupos seletos de pessoas.

Você chegou a sair do Japão com mestre Takeda para demonstrações e ensinamentos em outros países?
Sim, quando eu tinha 28 anos, foi providenciado por políticos para que eu, meu mestre e os mais notáveis peritos viajássemos ao Havaí, para uma turnê de demonstrações e ensinamentos da arte.

Qual sua posição nesta excursão?
Eu era o líder da equipe de demonstradores, e estava sob a direção de meu mestre.

Quantas pessoas havia na equipe de demonstradores e o Sr. pode lembrar o nome de seus participantes?
Naquela excursão estávamos em cinco, Sokaku Takeda, eu mesmo Asao Yoshida, Jintaro Abida e dois outros que não lembro seus nomes.

Quando vocês retornaram do Havaí, houve mudanças significativas em suas vidas?
Não, nós continuamos a viajar e ensinar e ao mesmo tempo eu continuei aprendendo com o mestre Takeda.

Como sua vida foi afetada pela eclosão da 2ª guerra mundial?
A 2ª Guerra Mundial mudou as coisas em muitas maneiras. Meu professor e eu trabalhamos para o governo capturando desertores militares que iriam se esconder nas montanhas perto de nossa casa. Nós devolvemos estes homens ilesos para as autoridades. A mais significante mudança aconteceu perto do fim da guerra. O Japão estava perdendo a guerra e em um último e desesperador esforço o governo instituiu uma unidade militar especial de recrutamento que chamou os mais proeminentes artistas marciais da época. Estas pessoas com o mais alto nível de treinamento foram recrutados em unidades especiais de guerrilhas os quais foram dispersos por toda a zona de guerra. Todo o grupo principal do Daito Ryu foi recrutado com exceção de mestre Takeda e eu mesmo. A maioria destes homens foram mortos no final da guerra.

Por que vocês não foram recrutados junto aos outros?
Eu estava para ser recrutado, porém Sokaku Takeda interveio. Devido sua influência e status, ele tinha me hospitalizado para uma pequena cirurgia. Isto parou o processo de meu recrutamento e impediu-me de ser recrutado. Ele impediu que eu fosse para a guerra porque sentiu que se eu fosse morto, seria o fim do Daito Ryu em sua forma total após sua morte.

Quantas técnicas separadas Sokaku Takeda tinha desenvolvido e dominava em seu sistema?
3808.

Quantas destas técnicas você pessoalmente dominava?
Pouco antes de ele morrer, ele informou-me que eu era o único aluno que tinha recebido do mesmo todas as técnicas e segredos de sua arte.

Você sabe as circunstâncias da morte de Sokaku Takeda?
Ele pôs fim a sua vida por recusar-se a comer.

Por que ele fez isto?
O Japão nunca tinha sido derrotado em uma guerra. Sokaku Takeda sentiu que uma grande vergonha e humilhação tinham sido perpetrado em seus antepassados face a derrota do Japão pelos aliados. Sendo um homem de liderança, ele sentiu pesada responsabilidade pessoal nesta derrota. Por causa deste forte sentimento ele decidiu que seu único honroso caminho era o de por fim a sua vida.

Mestre Takeda fez alguma declaração final para você antes de sua morte?
Ele disse adeus e falou de meu grande desejo de muito tempo de retornar para a Coréia, então ele me propôs isto, ele estava preocupado com este assunto, por causa de minha posição em sua casa e por causa de minha herança coreana e que eu seria assassinado se permanecesse no Japão. Tivesse eu permanecido depois de sua morte para sucedê-lo, isto teria sido perigoso.

Quando você retornou para a Coréia?
Eu retornei logo após a morte de Sokaku Takeda.

Onde o Sr. se estabeleceu na Coréia?
Nós nos estabelecemos na Província de Taegu Kung Buk, onde estabeleci minha primeira academia coreana, e fiz ali meu lar desde então. Depois do retorno eu mudei meu nome de volta para Choi, Yong Sul e o nome da arte para HAPKIDO.

Fonte e Tradução Alcione Costa (Pesquisador da História Artes Marciais Coreanas)

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O Livro 'Uma Arte Mortal: A História Não Contada do Tae Kwon Do."

 

 

 

 

 

 

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