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Confusão e agressão na Copa do Brasil 2015

Como se não bastasse os imbróglios que permeiam a vida institucional do Taekwondo “Olímpico” Brasileiro, mais fatos lamentáveis aconteceram neste fim de semana em João Pessoa (PB), durante a realização da Copa do Brasil/2015 e Repescagem Nacional Aberta da Categoria. Eventos que ocorreram simultaneamente entre os dias 10 a 13/Dezembro/2015.

Informações que chegaram até nossa redação dão conta de um suposto caso de agressão envolvendo atletas Militares e da Seleção Brasileira contra um atleta de São Paulo, da Categoria Sub 21. Vale registrar que as supostas diferenças pessoais que deram origem a desavença são externas ao evento.

Embora diferentes opiniões e versões dos fatos circulem nas mídias sociais taekwondista de forma mais ou menos acalorada, tivemos acesso a um dos Boletins de Ocorrência, o BO 1712/2015, por meio do qual o Delegado da Polícia Civil Bel. Alberto de Egídio Souza, na cidade de João Pessoa/PB, acolheu o depoimento do “Atleta Vitima”, e inclusive dos demais.

Os Fatos

Segundo o BO, o atleta notificante, Willian Matias da Silva, atleta Sub 21 da Academia Fabian Taekwondo, do Brooklin de São Paulo, estava no Ginásio esperando ser chamado para lutar, quando foi cercado por 3 atletas da Equipe do São Caetano, os quais foram tirar satisfação sobre um episódio referente a um comercial em São Paulo, há cerca de 3 meses. No meio da discussão, chegaram mais atletas da mesma equipe. Vendo-se acuado e intimidado pelos cinco elementos, o depoente tentou se evadir, mas foi, conforme consta no BO, agredido por chutes, socos e cabeçadas.


Outros atletas que apareceram, em razão do tumulto, garantem que, à medida que a coisa foi se radicalizando, os jovens da categoria Cadete/Junior (que testemunharam o fato) começaram a entrar em pânico. Isso acabou acuando os supostos agressores.

Entre os envolvidos na contenda, atletas de seleção principal de taekwondo do Brasil, inclusive militares e um técnico que, como nos confirma algumas pessoas que acompanharam os desdobramentos do conflito, chegou a se manifestar assumindo a responsabilidade pelo ocorrido, tentando livrar da responsabilidade os atletas de renome envolvidos no caso.

O tumulto foi parar na Delegacia e os desdobramentos ainda são imprevisíveis.

Sabemos também que a vítima, antes de ser conduzida a DP de Plantão para prestar depoimento, fez sua narrativa de próprio punho, referendada por alguns atletas que testemunharam o fato. Esta carta foi entregue a representantes da Entidade Nacional, presentes ao Evento, para as devidas providências.

 
Viatura conduzindo o atleta e testemunhas à Delegacia.


O Caso chama a atenção por envolver dois titulares da Seleção Brasileira de Taekwondo: Gustavo Almeida (até 68 Kg) e André Bilia (até 80 Kg). Estes, inclusive atletas militares. Os dois nomes constam no BO em questão.

Tentamos contato com estes atletas, inclusive com alguém da equipe. O único a se posicionar foi Gustavo Almeida, que nos respondeu com presteza: “Primeiramente muito obrigado pela oportunidade de falar, porem no momento não vamos nos pronunciar”.

Em contato com o Técnico e Mestre do Atleta, Fabian Teodoro, ele se mostrou preocupado e indignado:

 Mestre Fabian e seu Aluno William Matias

 "Sinto um enorme repudio pelo ocorrido com meu atleta em João Pessoa. Uma tremenda covardia e um desrespeito total com a nossa arte que prega totalmente o contrário. Os envolvidos devem ser punidos judicialmente e desportivamente. Eles tem que pagar pelo que fizeram com o meu atleta que fez uma vaquinha em minha academia para conseguir dinheiro para arcar com a vigem, alimentação e estadia, pois a federação somente pagou a inscrição e mais nada. Fora isto, não imaginei que isto pudesse ocorrer porque se eu imaginasse teria ido acompanhar meu atleta ou mesmo nem teria o deixado viajar. E no final, foi impedido de lutar por pessoas que se dizem atletas."

Fato Inédito

Já tivemos registros de conflitos, discussões mais acaloradas e até desentendimento pessoal. Mas, ao que se ventila, foram quatro atletas adultos (no topo do Alto Rendimento) e um técnico dando um "aperto" num atleta sub 21, quando este esperava ser chamado para lutar. Isto é um fato inédito!

Chama a atenção que, seja por transtorno burocrático, operacional, psicológico ou até danos físicos, o atleta acabou na prática atrapalhado ou impedido de competir.

Pior, é que todos os envolvidos no imbróglio eram representantes da mesma Federação, a FESPT (SP). Aliás, esta federação nem mais filiada é.

Mais absurdo ainda é que foram resolver contendas que ocorreram no seu estado de origem, em outro momento, e por conta de assuntos e desavenças extra-taekwondo.

Distante de qualquer prejulgamento, eis um caso clássico para ser analisado pelo STJD/TKD.

Preocupações

Ainda que de um lado alguns entrevistados achem melhor minimizar ou contemporizar o ocorrido e doutro haja a convicção de que episódios desta natureza devam ser exemplarmente punidos, situações deste tipo podem desencadear uma onda de desdobramentos lamentáveis, nas quais algumas equipes venham a se comportar como gangues o que geraria um descalabro imprevisível.

 

 

Leia mais sobre o Assunto no GloboEsporte.com em "Atleta de taekwondo diz ter sido agredido por lutadores em seletiva"

 

Por: Redação Tkdlivre

 

 

Artigo Publicado em 15/12/2015, as 16:00hs 

 

Nota da Redação:

¹  De qualquer forma, aos questionamentos que este artigo sugere oTkdlivre, se coloca de antemão, a disposição para, a quem interessar possa, exercer o Direito de Resposta ou fazer o Contraditório.

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