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50 anos de Taekwondo no Brasil

 Meio Século (1968 - 2018) de Histórias! 

Não é de agora que articuladores deste site vêm pesquisando e tentando entender eventos, circunstâncias e fatos a cerca deste tema que é a História do Taekwondo no Brasil.

Antes de magoar egos mais sensíveis, comprometidos com este ou aquele grupo, começaremos em 2018 uma releitura da história do Taekwondo neste país, sem se preocupar com ideias já pré-concebidas ou instituídas ao longo do tempo e que deram a este ou aquele o protagonismo da Introdução do Taekwondo no Brasil. Tampouco nos pautaremos por supostas legalidades desta ou daquela organização internacional, que daria mais credibilidade a este ou aquele pioneiro como mais (ou menos) importante neste contexto.

O fato é que o Taekwondo é muito maior que instituições e, mais ainda, que alguns figurões que se arrogam de algum patriarcado. Porém, trabalhamos sem desmerecer as inevitáveis dificuldades e desafios que boa parte dos nossos mestres pioneiros enfrentaram, até se consolidarem em nosso país, se ambientarem e se entenderem com nossa cultura, nossa gente.

Antes, o respeito e gratidão a todos os pioneiros do Taekwondo nacional. Cada um, ao seu modo, com suas dificuldades ou possibilidades, nos proporcionaram este legado.

O nosso ponto de referência neste estudo se pautará no momento e nas circunstâncias mais antigas que se têm registro (nomes, locais e legados), do início do ensino do Taekwondo em território brasileiro.

Uma análise para além da tal oficialidade

Até então, parte da cultura taekwondista nacional sempre se referendou à chegada em 08/06/1970 do GM Sang Ming Cho na cidade de São Paulo, como enviado “oficial” da ITF.

Deste fato histórico surgem dois pontos a ser refletido:

Para aqueles praticantes do Taekwondo ITF (Federação Internacional de Taekwondo) que permaneceram fieis à esta entidade, como legado do General Choi Hong-Hi: a data de referência se mantém, em tese, com maior propriedade.

Porém, àqueles que optaram pela vertente da parceria política KTA/WTF/Governo Coreano (Associação Coreana de Taekwondo/Federação Mundial de Taekwondo/Governo Coreano de Park Chung-Hee), esta história precisa ser relativizada, visto que na virada da década de 60 para a de 70, as tensas circunstâncias políticas na Coreia do Sul não sustentavam unanimidade no controle da modalidade. E faz sentido, se considerarmos que a ITF e seu Fundador, General Choi, já nesta época vivia em conflito com a KTA/Governo Coreano. Não por acaso, a contenda resultou em exílio, autoexílio ou expurgo (como queiram!) de Choi e de sua ITF. E neste imbróglio político, esta tal “oficialidade” vai ser reivindicada em definitivo pela KTA/WTF.

Posicionamento feito, entendimento as claras... vamos aos fatos que nos tem sido possíveis analisar

Importante registro é a chegada, anterior a de Sang Ming Cho, do Mestre Jung Do Lim em 10/07/1968 no aeroporto de Viracopos, se dirigindo logo a seguir para a Bahia, levando consigo o Taekwondo da Escola Moo Dok Kwan para este estado.

Da mesma forma, não menos importante foi o papel do Grupo de Jung Do Lim na Bahia que, com a ajuda do Coronel Otto Freitas de Aguiar (PM/BA), a capacidade intelectual de Ubaldo Alcântara, associado à chegada de outro coreano, Mestre Jung Roul Kim, faz do Grupo de Lim o trabalho mais ativo e significativo para o reconhecimento oficial pela CBP (Confederação Brasileira de Pugilismo) do Taekwondo como modalidade marcial com características e história própria, que ocorreu no início de 1974.

Esboço já feito

Em 2012, publicamos “38 anos de Taekwondo “oficial” no Brasil” importante artigo, com mais de 10 mil acessos, que traz uma síntese do que tínhamos de informações naquela época, porém, já defasado em alguns aspectos.
Atualmente, tivemos acesso a novos documentos e informações, os quais nos evidencia um panorama mais seguro sobre o início do ensino e da prática de Taekwondo no Brasil no final da década de 60. E é sobre isto que trataremos de compartilhar com o Leitor no decorrer deste ano de 2018.

Eis a tarefa

Para este desafio, propomos ao leitor um olhar sobre a nossa história partindo de 4 pontos ou datas de referência:

1 - 31/01/1974 - Data na qual o pessoal do Departamento de Karatê da CBP reconhece o Taekwondo como uma modalidade a parte, dando “sinal verde” a CBP para que a entidade acolha o Taekwondo com um Departamento Especial com representação própria e assento naquela entidade “oficial” dos esportes de combate à época;

2 - 08/06/1970 - Data da chegada de Sang Min Cho como enviado “oficial” da ITF no Brasil em São Paulo;

3 - 10/07/1968 - Data da chegada de Jung Do Lim com destino ao Interior baiano (Cruz das Almas) onde deu aulas de Taekwondo na Faculdade de Agronomia daquela região, antes de migrar em definitivo no segundo Semestre de 1969 para Salvador;

4 - 29/01/1967 - Data da chegada do Mestre Byung Kuk Lee no Cais do Porto em Recife. No decorrer deste ano, após alguns contatos, ele fez várias apresentação de Judô em Recife. O resultado deste esforço é que em Janeiro de 68 ele começa a dar aulas de Judô no 4º Batalhão de Comunicação do Exército em Recife, donde, de imediato, se viu obrigado a inserir o Taekwondo como modalidade. Isso se deu em razão do dinamismo da arte marcial e por conta da influência do cinema e revistas em quadrinhos da época, as quais  puseram em moda as artes marciais orientais, tais como o Karatê e Kung Fú.

Assim como não seria equivocado partirmos pela ordem cronológica de início das atividades no ensino da modalidade, priorizando quatro frentes de relevância cronológica, importantes na época:

1º - Pernambuco no 1º semestre de 1968;
2º - Bahia no 2º semestre de 1968;
3º - São Paulo no 2º semestre de 1970; e
4º - Rio de Janeiro no 1º semestre de 1972.

Demandas que não acabam

São inúmeras datas ou eventos que merecem atenção. Entre estas, dois pontos neste desafio que pode ser melhor explicado nestas narrativas históricas do Taekwondo brasileiro que escreveremos a partir de agora:

I - Um seria sobre a passagem de Yung Man Kim no taekwondo brasileiro entre a chegada ao Brasil em 10/07/68, possivelmente no mesmo voo que o Ms Jung Do Lim. Assim, não surpreende que tenha se dirigido, logo após sua chegada, também à mesma região baiana. Yung Man Kim, conhecido por “Maluco Kim”, também poderia ter recebido um apelido de “Cigano Kim” por ter rodado por 10 anos (até sua morte em 1978), por vários lugares num itinerário que supomos uma rota cigana:

        1. Chegada ao Aeroporto de Viracopos e assim, Campinas - Bahia;
        2. Depois de se meter em confusão no interior baiano, volta pra São Paulo;
        3. tenta a sorte em Maringá/Londrina;
        4. depois indo viver por 2 anos na academia do Ms Byung Kuk Lee em Recife; depois some,
        5. Provavelmente tenha passado por Maceió,
        6. De volta a Recife, se despede do pessoal da Academia Lee, e;
        7. Reaparece em 1974 no RS, como introdutor do Taekwondo Gaúcho.

II - Outro, é sobre as condições da “famosa reunião dos 7” no RJ - na qual, entre os mestres pioneiros, os prováveis participantes foram Sang Min Cho, Kum Jun Kwon, Sang In Kim, Kwang Soo Shin e Woo Jae Lee (Parte ITF) + Jung Do Lim e Jung Roul Kim (Parte MDK) - , que teria ocorrido no mês de Março/74 na cidade do Rio de Janeiro por conta da escolha do Assessor Especial do Taekwondo que tomou posse em 15 de Abril de 1974 na Confederação Brasileira de Pugilismo. Esta reunião, que pode ter sido um encontro indigesto entre alguns desafetos políticos, pode não ter acontecido efetivamente, em razão das divergências e conflitos quanto a interesses divergentes do Taekwondo carioca, paulista e baiano.

A pauta é vasta, desafiadora e necessária!

E os temas serão abordados em separados para facilitar a leitura, de modo que o leitor consiga fazer coesão das demais narrativas sobre a história da modalidade no país, assim como entender ou ter clareza de pontos ainda confusos ou desconexos.

Da nossa parte, um alerta: Nenhuma pretensão de escrever uma história em definitivo. Porém, trazer ao conhecimento da comunidade taekwondista registros importantes para que cada um construa um esboço de história viva, pois, a mesma se movimenta a cada fato novo que vem a tona.

Assim, para darmos ingredientes a narrativa destes 50 Anos de Taekwondo no Brasil  - Meio Século (1968 - 2018) de Histórias! Começamos resgatando o nome de outro pioneiro de história não menos interessante: Ms Byung Kuk Lee.

Sua chegada em 29/01/1967 e a entrada de forma determinante nas artes marciais do Pernambuco a partir de então, deixando um relevante legado, tanto no Judô, como no Taekwondo daquele estado.

Neste sentido, o próximo artigo desta série, começa pelo pioneirismo pernambucano: em:

 “Recife e os primórdios do ensino do Taekwondo no Brasil”.

 

 - O Autor,  José Afonso, é faixa preta, professor, praticante e ativista no taekwondo brasileiro.

Artigo Publicado em 30/03/2018, as 21:00hs

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