Péssimo momento do taekwondo “oficial” brasileiro e as crises que se agigantam

 

... Donde, “desgraça pouca é bobagem” ...

 
Diz o dito popular que “desgraça nunca vem desacompanhada”. E este parece valer, para a atual conjuntura da entidade que controla o taekwondo “oficial” tupiniquim.

Ao longo da primeira metade desta década, o atual mandatário da entidade “oficial” do taekwondo brasileiro vem cometendo uma série de atitudes um tanto temerárias, donde já se sabia que levadas aos tribunais, poderiam resultar no que vem se confirmando.

Exemplos a estas preocupações não faltam:

  • Fraude Estatutária (evidenciada pela TJ/RJ) que proporcionou exclusão de lideranças e entidades estaduais divergentes da atual gestão;
  • Suspeitas de Irregularidades em convênios com o Governo Federal (investigação em Curso na Polícia Federal);
  • Condenação a não poder captar recursos públicos por conta de uma velha demanda jurídica (casos dos bingos no RJ);

Dentre outros imbróglios não menos relevantes.

Destes gargalos podemos deduzir, pelo menos, 6 Crises em Curso, que seriam:

  1. Crise de Exclusão ou de Expurgo;
  2. Crise de Apequenamento ou de Representatividade;
  3. Crise de Credibilidade ou de Confiança;
  4. Crise de Legitimidade ou de Legalidade;
  5. Crise Institucional ou de Oficialidade;
  6. Crise Financeira ou Econômica.

I - Crise de Exclusão ou de Expurgo

Parece evidente a disposição política da atual gestão da entidade que se diz “oficial” da modalidade no País em excluir, não só lideranças e federações regionais, como mestres, atletas e blogueiros que tem se mostrado críticos ao projeto de poder em curso.  A tal Fraude do Estatuto Social da entidade, no qual discutimos em 03/07/2015 - "Uma aventura que pode ter colocado o Taekwondo “Oficial” Brasileiro em colapso", dá uma ideia de até onde nossos próceres se dispõem a ir para que seus interesses políticos pessoais não sejam questionados ou escancarados.

Porém, esta sana inquisitória, de modo a expurgar todos os que atravessam o caminho dos homens do poder, não se limitou apenas a seara política. Donde mestres, professores, atletas e praticantes, quando esboçaram críticas ou descontentamento com a atual gestão tiveram seus nomes levados às instâncias inquisitórias da entidade e expurgados sob o argumento de que os mesmos, “degreniam” ou “imaculavam” (como diz um dos mais proeminentes cartolas da modalidade), o bom nome da entidade ou da modalidade.

II - Crise de Apequenamento ou de Representatividade

Este ponto preocupa muito. De alguma forma é consequência do primeiro. A entidade “oficial” do taekwondo brasileiro, na qual, tanto seus gestores, como seus parceiros regionais não enxergam no apequenamento quantitativo de seus praticantes e atletas algo extremamente temerário para o futuro da modalidade e da própria entidade no país.

Sobre este tema, uma provocação foi lançada em 11/05/2014, - "Qual o Tamanho do Taekwondo Brasileiro?" donde, prospectando até onde foi possível um cenário de representação quantitativa do coletivo taekwondista brasileiro.

Outro fato que se observa, são alguns campeonatos “opens” tradicionais, gerenciados por agrupamentos vinculados a seara oficial, dando sinais de recuo numérico dos seus participantes.

Sem contar que não são poucos os praticantes e professores de taekwondo que, por uma série de dissabores, estão migrando para outras modalidades, em especial o MMA e Muay Thai.

Fora a esmagadora maioria de praticantes da modalidade atuando longe do controle e influência da gestão “oficial”.

III - Crise de Credibilidade ou de Confiança

Refletir sobre a Credibilidade da entidade que controla o taekwondo “oficial” tupiniquim não carece de grandes esforços se nos basearmos nos fatos que destacamos até aqui. Porém, dois fatores detonam a minguada credibilidade desta entidade “oficial”. Um deles, quando Instância Superior do TJ/RJ detona a Fraude do Estatuto Social da Entidade “Oficial” cancelando-o e anulando todos os atos que dele derivaram a partir da AGE que teria aprovado o mesmo em Novembro de 2011. O outro, diz respeito quando o próprio desembargador, no Acordão, salienta preocupação com esta entidade quando argumenta: "...a presente lide carece de especial atenção diante da notória fragilidade administrativa da entidade que figura na parte ré. Conforme notícias amplamente divulgadas na mídia especializada e não-especializada, a CBTKD vem sendo investigada pela Polícia Federal por suspeita de condutas criminosas de seus gestores...".

IV - Crise de Legitimidade ou Legalidade

Se combinarmos a “notória fragilidade administrativa”, como diz o Desembargador por conta do inquérito na Polícia Federal a Fraude Estatutária evidente, donde até a Eleição da atual Gestão está sob questionamento, não há como negar que esta gestão está com as vísceras expostas.

V - Crise Institucional ou de Oficialidade

Não é de agora que alertamos esta gestão a respeito das consequências de se levar algumas decisões políticas as últimas consequências, não poderia resultar em desdobramentos trágicos tanto a Modalidade como a própria Entidade.

E a partir de agora o que mais preocupa é saber onde e como este processo vai acabar, ou se haverá “cacos” para juntar ou ainda se esta aventura política pode inviabilizar em definitivo o próprio nome da Entidade. Ou seja, o seu CNPJ.

VI - Crise Financeira ou Econômica

Por fim, a questão financeira ou econômica da entidade também preocupa, visto que, com o afastamento de atletas, academias, federações, causando um Apequenamento Quantitativo da modalidade, interfere diretamente nas Receitas Ordinárias da entidade, que são os Recursos Internos. Sobre Recursos Externos, que viria da iniciativa privada, por exemplo, com a “capivara” que a entidade tem pra mostrar, é quase impossível alguma empresa séria querer associar seu nome ou marca ao da entidade. Assim como os Recursos Públicos que, em que pese a entidade estar condenada a não poder receber este tipo de recurso, ainda pode se complicar de vez se comprovada as Investigações Federais, sem falar de Outras Ações que em se confirmando a Fraude Estatutária, uma a enxurrada de ações podem aparecer. Entre outros dissabores que vem se acumulando como: Indenizações a atletas, causas trabalhistas, o Caso do Brazil Games, Indenização à LNT.

Enfim, eis uma contribuição, muito mais para se alertar, refletir, negociar, conter ou tentar minimizar, do que se divertir com as mazelas e imbróglios em cursos ou subsequentes.

Porém, nunca é demais lembrar ...

 

 - O Autor deste,  José Afonsoé faixa preta, professor, praticante e ativista no taekwondo brasileiro.


Artigo Publicado em 24/07/2015, as 23:30hs

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