Novela Anderson Silva é “fumaça” no Taekwondo Brasileiro

 Artigo Publicado em 22/05/2015, as 14:00hs.

 

Por José Afonso*

Muito tem se falado sobre a disposição de Anderson Silva disputar as próximas Olimpíadas pelo Taekwondo, e o que se nota é que, por não conhecer as peculiaridades nem os meandros da vida político/institucional da modalidade no País, a mídia esportiva não consegue fazer uma boa leitura desta situação.

Porém, não a culpamos, inclusive pelo fato de que quando se pede a opinião de algum especialista da modalidade, como ocorreu na Matéria no Esporte Espetacular sobre o assunto, percebe-se posição xoxa deixando parecer que o gargalo estaria no desconforto e insegurança dos atletas da categoria de Anderson por conta de possíveis arranjos ou acordos de última hora. Aliás, uma preocupação que não é absurda, porém, tema para outra pauta.

Mas, afinal:

E se Anderson Silva não fosse “o Anderson Silva”?

Neste caso, não haveria resenha por não haver a menor possibilidade para tal pretensão!

Sair do zero no Ranking Nacional ou mesmo no Ranking Internacional da WTF há 1 ano do evento nos parece impossível, impensável e improvável de acontecer. Não nesta cultura esportiva praticada pela atual gestão nacional da modalidade!

Portanto, apesar de um discurso humilde e despretensioso de um lado e uma empolgação com um marketing positivo de outro, a impressão que fica é que tudo isto não passa de fumaça.

...Fumaça pra lá...

Figuras públicas do esporte, como Anderson Silva, mesmo afastado do octógono, não pode ficar longe dos holofotes da grande mídia. Neste sentido, enquanto atravessa um momento negativo no UFC por conta de envolvimento em um suposto caso de doping, alimentar um “sonho olímpico” sustentado por um discurso humilde e desafiador é um bom apelo e parece desviar o foco do qual está verdadeiramente inserido.

Tentar uma vaga olímpica “mesmo que seja para passar vergonha” parece uma boa jogada de marketing para ofuscar uma realidade negativa e adversa na qual está inserido.

...Fumaça pra cá...

No âmbito institucional, como declarou o próprio dirigente da entidade que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro, o caso Anderson Silva foi como "acertar na mega sena".

E foi mesmo!!!

A atual gestão, não vive um bom momento. Além de praticar uma série de atos questionáveis, como se revela em inúmeros imbróglios judiciais na justiça carioca, principalmente, está também em apuros com investigações federais por suspeitas de mal uso de recursos públicos. São inquéritos policiais e ações judiciais que colocam em cheque o modelo de gestão em curso na modalidade. Neste cenário, também adverso, Anderson encaixa como uma luva.

...Outras fumaças...

Há de se considerar que o COB e quisera o Governo Federal, diante de possível fracasso esportivo, por conta de grandes investimentos neste ciclo olímpico, pode ter interesse em um nome de peso para dividir a responsabilidade ou desviar o foco. Além da própria mídia que olha pra todos os lados e não encontra ídolos nas modalidades olímpicas. Anderson seria um bom apelo e garantia de assunto, pauta, notícia, etc.

Seletivas Olímpicas

Ao observarmos com mais atenção os comentários nas inúmeras matérias que trata deste assunto na mídia esportiva, inclusive nas redes sociais notaremos que a leitura de um cidadão alheio as peculiaridades da modalidade se limita a questionar: Se Anderson Silva está disposto a participar de um processo seletivo justo, qual o problema?

Este é o problema!

Até então, o único regulamento que se tem notícia é a de um grupo de atletas que iriam ser escolhidos, através de uma seletiva fechada no final do exercício esportivo de 2015 entre os 3 melhores ranqueados por categoria, não incluídos os membros da Seleção de Tkd/2015, agora em número de 3 (titular, reserva e 2º reserva) que tem vaga garantida na seletiva para o ano seguinte.

Este grupo trava combates para se formar uma Seleção Brasileira de Taekwondo para 2016.

Destes confrontos sai os atletas selecionados, até então 3 por categoria!!! Dentre estes, se pensaria uma fórmula para escolher os atletas que iriam representar o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro nos Jogos do Rio/2016.

Vale registrar que o Brasil por ser País Sede garante vagas em 4 categorias (2 Masc. e 2 Fem.) nas demais, só se garante vaga quem tiver entre os melhores do Ranking Internacional da WTF.

O que sobra pra Anderson?

Imaginamos 3 alternativas:

  1. Pega o “trem andando”, entra pela janela e encontra um acento já garantido;
  2. Cai na estrada para competir em inúmeras etapas Brasil afora para chegar ao final do ano entre os 3 melhores da sua categoria;
  3. Aposta na repescagem final se ainda tiver em 2015.

Entre outras que poderão surgir, é continuar fazendo fumaça.

A novela continua.  

Somos todos telespectadores.

 

*O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.

 
Nota da Redação:

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