A GUERRA DA CORÉIA

Por: Alcione Costa.

Na madrugada do domingo do dia 25 de Junho de 1950, aproximadamente 4 h, a República Democrática Popular da Coréia, liderada por Kim Il Sung (1912-1994), na época Secretário do Comitê Central do Partido Trabalhista, no intuito de unificar a península, lançou um maciço ataque contra a República da Coréia, dando início a horrorosa Guerra da Coréia.













Família separadas, ainda sofrem pelas conseqüências da guerra.


Kim Il Sung, com suas tropas naquele momento sob o comando do General Chai Ung Jun, utilizando sete Divisões de assalto de Infantaria, uma Brigada de tanques e dois Regimentos independentes de Infantaria, com apoio logístico da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas de Joseph Stalin (1879-1953), obtendo inicialmente amplo sucesso ao conquistar quase toda a parte sul da península.

Neste ínterim ocorre um fato inédito e que nunca mais se repetiria: A decisão da URSS em se ausentar da reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU realizada em 27 de Junho de 1950, especificamente para tratar do assunto.

Ressaltando que a ONU por pressão dos EUA não aceitava em seus quadros a jovem República Popular da China (estabelecida em 1º de Outubro de 1949) o que fez com a União Soviética deixasse de exercer o seu poder de voto e de veto, facilitando as coisas para seu maior rival, os EUA.

A partir daí, a ONU autoriza o envio de tropas terrestres, marítimas e aéreas para ajudar a República da Coréia. Desta coalizão, EUA e mais 15 países, 5 destas nações enviaram navios hospitais, unidades médicas e suprimentos, sendo que a maioria absoluta das tropas de combate era dos Estados Unidos.

Em 08 de Julho de 1950 a ONU designa o famoso General do Exército dos EUA, Douglas Mac Arthur (1880-1964), veterano da 2ª guerra mundial, e indicado pelo governo de seu país, como comandante supremo das Forças de Coalizão da ONU.

Os fatos que motivaram a eclosão da guerra foram versões de acusações mútuas. Outro fato marcante, importante e decisório e que merece destaque, foi a declaração do então Secretário de Estado do Presidente Truman (1884-1972); Dean G. Acheson (1893-1971), em 12 de Janeiro de 1950 deixando claro que: o perímetro defensivo dos Estados Unidos abrangia as ilhas Aleutas, o arquipélago de Ryukyu e as Filipinas, estando a Coréia excluída do perímetro de segurança dos Estados Unidos, ou seja, não fazendo parte da lista de preocupações dos EUA tanto para a Ásia quanto para o Pacífico.

Esta atitude por si só, encorajou os líderes políticos da Coréia do Norte a idéia da invasão ao sul, o que não ocorreria se o EUA tivesse declarado como incluso no seu perímetro defensivo.

Outros fatos que também contribuíram para desencadear o processo foram as perseguições, repressões violentas, violação dos direitos humanos, prisões e torturas a grupos socialistas dentro da Coréia do Sul. O país se encontrava mergulhado em uma forte crise econômica. Além desta atmosfera negativa e perversa, os freqüentes pronunciamentos de Syngman Rhee (1875-1965) ameaçando atacar e anexar a parte norte da península, também influenciaram para a eclosão do conflito.

Após um processo de avanços e recuos nos campos de batalha, a própria capital Seul mudou de mãos em mais de uma oportunidade, os EUA firmam suas posições obtidas por uma série de significativas vitórias.

Surge uma nova resolução no alto comando norte-americano: Ocupar a Coréia do Norte. O famoso General de 4 estrelas Douglas Mac Arthur, era um dos mais entusiasmados defensores da idéia, o que para ele poderia posteriormente desdobrar-se em um ataque Yanque a República Popular da China. Os EUA ultrapassam o paralelo 38, fixando forças na capital Pyongyang. Por outro lado, a República Popular da China que já tinha manifestado de maneira oficial solidariedade aos norte-coreanos, advertiu que se por ventura os EUA tomassem a iniciativa de invadir o norte da península, sua nação participaria da guerra. O que, realmente ocorreu em Outubro de 1950.

Nesta época, as tropas chinesas atravessaram o rio Yalu e entraram na Coréia do Norte. Sob o comando do famoso general Peng Teh Huai (1898-1974) conhecido na China como ´O grande Peng`, por sua extraordinária eficácia e perícia em táticas e estratégias de guerra.

Segundo Mao Tse Tung (1893-1976) principal líder da RPC; ´O povo chinês, voluntariamente, havia decidido entregar-se a tarefa de resistir aos Estados Unidos da América, ajudando a Coréia e defendendo suas casas e seu país`, entretanto uma das fortes razões para os chineses entrarem no conflito, reside no fato das tropas de Mac Arthur aproximar-se do rio Yalu (Amnok) fornecedor de energia ao principal núcleo industrial da República Popular da China.

Os chamados ´Voluntários do Povo Chinês`, que na verdade era o próprio exército regular chinês, reforçado com milhares de voluntários, conseguem recuperar a linha do Paralelo 38, gerando entre os militares americanos uma surpresa ante a capacidade de mobilização bélica dos chineses, por outro uma perplexidade quanto as práticas a serem adotadas na continuação da guerra. Porém deve-se salientar que somente com o envolvimento chinês nas ações militares, a guerra da Coréia obteve novas perspectivas.

Por conta disto, ficou afastada a hipótese de reunificação coreana pela luta armada, assim os EUA tiveram que se contentar em defender estritamente a República da Coréia. Outra situação relevante atribui-se a demissão do General Douglas Mac Arthur, do posto de comandantes das tropas dos EUA e obviamente da coalizão da ONU.

Sua demissão ocorreu em 11 de Abril de 1951, face o militar ter proposto publicamente vencer as tropas chinesas, invadir a China pela região da Manchúria (antiga província na divisa com a região norte da República Democrática Popular da Coréia), a fim de deter a propagação Maoísta.

Para isto utilizando armas nucleares ou em suas próprias palavras: ´Não há substituto para a vitória`. Suas intenções divergiam do segmento encabeçado por Harry S. Truman, 33º Presidente dos EUA, o qual estava mais inclinado a uma solução pacífica para a questão coreana, fazer uso do potencial nuclear acreditava Truman, poderia desencadear uma guerra em grande escala e abrir a possibilidade da União Soviética concretizar suas ameaças de ingressar no conflito com seus efetivos militares, inclusive correndo-se o riso de desencadear uma 3ª grande guerra mundial.

Mac Arthur foi substituído pelo general Mathew B. Ridgway (1895-1993) até então comandante do 8º Exército das Forças Armadas dos EUA. Ridgway foi substituído em 12 de Maio de 1952 pelo General Mark W. Clark (1896-1984).

Cabe ressaltar que a política de Truman já tinha sido responsável pelo lançamento em 06 e 08 de Agosto de 1945 de duas armas nucleares sobre a desprevenida, indefesa população civil de Hiroshima e Nagasaki, tornando-se o único país na história da humanidade a lançar tais armas sobre seres humanos, ou seja, duas catástrofes humanas e materiais sem precedentes, crime tão hediondo que apesar de impune, despertava naquele tempo apreensão e um grande constrangimento e mal estar no seio da população norte-americana.

A Guerra da Coréia foi encerrada em 27 de Julho de 1953 depois da assinatura de acordo do armistício. Norte e sul permanecem separados e ocupam quase o mesmo território que tinham antes do começo da guerra.

O total de mortos entre todas as partes, tanto civil como militar: mais de 4,5 milhões.


Principal referência: Folha da História, Julho de 2000.

O Autor, Alcione Prestes Costa é dedicado pesquisador da Cultura e das Artes Marciais Coreanas e pioneiro na prática do Taekwondo no Rio Grande do Sul.