Mergulhada em denúncias, gestão provisória pode não chegar ao final.

 

Por José Afonso, especial para a Redação


Nunca foi tarefa fácil acompanhar, entender, analisar e expor uma opinião, seja ela em forma de crítica ou reflexão política, sobre as mazelas do taekwondo nacional.

 

Mazelas, sim!

E entenda o leitor como achar melhor. Podendo ser chaga, ferida, enfermidade, aflição, desgraça, prejuízo, tormento, agonia, desassossego, inquietação, suplício; enfim, nem é de agora que o taekwondo nacional sofre com sua sina. E as consequências disso são danosas ao coletivo taekwondista, geralmente vítima de gestores egocêntricos, de perspectivas equivocadas e olhares míopes.

Vivemos no Taekwondo Brasileiro um processo de transição política concomitante a uma crise institucional que parece não ter mais fim.

A prolongada Gestão YMKim chegou ao fim quando o velho mestre percebeu que as demandas aumentaram. Afastar-se do poder poderia fazer bem, tanto para o coletivo taekwondista, como para sua imagem pessoal e reputação marcial.

A transição colocou, no primeiro momento, o comando da CBTKD nas mãos do seu vice Jung Roul Kim. Eleito, viveu um breve período marcado pela sua caquetice administrativa. Isolado politicamente, recebeu um “empurrãozinho extra” de um ex-aluno, colocado em 3ª opção, numa 3ª eleição para ser seu vice e algoz. Em pouco tempo, o “novo vice” já articulava o afastamento do velho mestre e titular do mandato por irregularidades na gestão.

É bom que o leitor se atente para um fato: o atual presidente da CBTKD não foi eleito para o cargo. Ele “está Presidente”, mais precisamente: “Presidente Temporário”, já que ocupa um mandato temporário ou tampão, até que o mandato conquistado por JRKim acabe ou que a justiça mande o cargo voltar a seu titular.

Desta forma, o que o então Presidente Provisório em exercício na CBTKD deveria ter feito ou se limitado a fazer no exercício desta provisória função? Identificar, informar e sanar as supostas irregularidades que teriam justificado o afastamento de Jung Roul Kim (Titular do atual Mandato).

Porém, até onde se tem noticia, após o atual “provisório” ocupar o comando da entidade, nada mais foi comentado, divulgado ou discutido sobre o assunto.

E se parte das denúncias que vieram a público recentemente na grande imprensa, entre outras ventiladas nas redes sociais, proceder, ficam evidente os indícios de irregularidades na atual provisória gestão. Ironicamente, começam a parecer mais consistentes daqueles que afastaram o titular do mandato.

“Resumo da Ópera”: o atual presidente provisório não sanou os problemas deixados por JRKim, pelo contrário, mergulhou a entidade em outros. Em tese, suspeições que já estão se confirmando bem piores que antes.

Alguns erros graves não carecem de provas, é público, notório e latente:

  • Exagerado número de admissões e demissões de funcionários da entidade, gerando insegurança, baixo estima e ineficiência profissional;
  • Excessivo número de ações na justiça, tanto como parte ré, como autora. Uma entidade séria e responsável deveria evitar sempre que possível este tipo de imbróglio;
  • Perseguições às mídias que acompanham os bastidores do taekwondo nacional;
  • Alterações estratégicas, convenientes e mal explicadas no Estatuto Social da Entidade na AGE de Novembro de 2011 que beneficiou apenas o próprio gestor da atual “provisória gestão”;
  • Falta de transparência no processo sucessório em curso, tendo em vista as Eleições para Presidente da CBTKD marcado para março do próximo ano;
  • Descumprimento do Regulamento do Sistema Nacional de Ranking, quando autorizou, sem nenhuma explicação plausível, que eventos Opens, como o de Porto Alegre, tivessem sua pontuação alterada para 100% do seu peso original;
  • Ações judiciais ou processos administrativos contra taekwondistas, por fazerem críticas contra a atual “provisória gestão”;
  • Suspensões e desfiliações contra as federações que têm sido opositoras às políticas e ações da atual “provisória gestão”;
  • Desfiliação da Federação do Rio de Janeiro e filiação de outra sem ao menos abrir um procedimento administrativo para esclarecer, identificar ou punir os responsáveis pelo definhamento ou o caos que levou a FTKDERJ ao seu colapso;
  • Uso político na distribuição de Kits para o fomento esportivo, provindos de recursos públicos, já que não há critério algum para justificar a forma de privilégio de algumas federações. Há casos de estados beneficiados, sem o menor “DNA esportivo” em se tratando de taekwondo de competição;
  • Interferência na vida dos professores, mestres, associações e federações estaduais ao usar de privilegiada posição de dirigente para reivindicar para si próprio o lucrativo mercado dos exames de faixa;
  • Desrespeito ao Regulamento dos Exames de Faixa, principalmente quando um 7º Dan faz exames “sozinho” de um candidato à mesma graduação que o examinador ostenta. Procedimento este, que o próprio Regulamento da Kukkiwon proíbe. Mais grave ainda, quando estes exames, em tese, irregulares, são dados a possíveis parceiros políticos para fortalecer base aliada nos estados;
  • Falta de uma gestão financeira profissional no trato das verbas e recursos ordinários da entidade, acarretando assim total dependência de recursos públicos.

 

Estes pontos, bem analisados, já seriam suficientes para colocar em dúvida a competência administrativa desta atual “provisória gestão”.

Porém, o mais interessante é observarmos que toda a arrogância e truculência política, marca registrada desta “provisória gestão”, não surtiu o efeito  desejado, pelo contrário, desencadeou um interminável “rosário de denúncias” que parece não ter mais fim.

Interessante notar que ao posicionar esta “provisória gestão”, dentro do Quatriênio 2009/2013, do mandato ainda em curso de JRKim (titular original do cargo), corre-se o risco de acabar pior ainda, podendo o presidente provisório em exercício da CBTKD não sobreviver ao final do mandato.

Aliás, não seria surpresa para quem leva as reflexões do Tkdlivre a sério.

Dizer que a mídia especializada no taekwondo brasileiro não presta um relevante papel a Comunidade Taekwondista é um equívoco. Tão grande quanto não ter levado a sério tudo o que alertamos ou preconizamos ao longo do tempo.


Redação Tkdlivre

Artigo Publicado em 05/11/2012, as 12:00hs.

Nota da Redação:

  • Aos questionamentos que este Artigo sugere, o Tkdlivre, se coloca de antemão, a disposição para, a quem interessar possa, fazer o contraditório.