Taekwondo Brasileiro em um nebuloso começo de ano

EDITORIAL - 01/2013
Publicado em 30/01/2013, as 9:40hs.

 

Talvez a política seja a única profissão para a qual pensem que não é necessário preparo. (Robert Louis Stevenson)


Quando se fala em Taekwondo Brasileiro, há de se considerar que há um universo de entidades e grupos que atuam, praticam, fomentam e propagam a modalidade no seu aspecto Social, Esportivo e Marcial. Porém é o Taekwondo da CBTKD que canaliza todos os Recursos Públicos para melhor gerir a modalidade no seu aspecto “Olímpico”, visto ser ela a única que se diz "oficial", por ser vinculada ao sistema COB/COI/WTF. Portanto, por uma questão de responsabilidade social e senso de cidadania é que  canalizamos neste grupo esta análise, visto haver interesses do coletivo taekwondista em jogo, recursos públicos investidos e esperanças de uma nação que investe para ter resultados de maior relevância.

 

Já era de se esperar que o fim do Mandato de Jung Roul Kim (Quadriênio 2009/20012), afastado por irregularidades no final de 2010, termine como começou: tenso, cheio de variáveis e de forma ainda imprevisível. A tese se sustenta por conta de uma política de cassações e desfiliações imposta a partir do seu afastamento, pela Gestão Provisória que ocupou o seu lugar no comando  do Taekwondo “oficial” Brasileiro. Além disto, observa-se falta de traquejo democrático, ausência de tato político para momentos de crise associado e um egocentrismo exacerbado. Estas, supõe serem as características principais desta gestão provisória, que vem apostando num jogo político altamente arriscado para o futuro da modalidade e perigoso para a unidade do seu coletivo.

No Brasil, a justiça é geralmente morosa. Apostar nisso, em determinadas circunstâncias (ainda mais quando os imbróglios jurídicos se acumulam), pode trazer revés e dissabores em momentos que menos se espera, haja vista as demandas em curso. Vejamos:

  • As questionáveis alterações estatutárias, supostamente impostas pelo COB, que em tese, beneficiaram apenas a segurança e os interesses políticos do atual gestor, ainda aguarda desdobramentos na Justiça Carioca;
  • O Caso Brasil Games ainda deve ter conseqüências;
  • A Desfiliação da FETESP é o caso mais recente que também deverá trazer alguns aborrecimentos;
  • O Caso da LNT x CBTKD, que ninguém mais fala, ainda se move nos meandros do judiciário. O juiz do caso não acolheu a Objeção de Pré-executividade, interposta pela CBTKD recentemente, o que se supõe que este imbróglio ainda terá desdobramentos;
  • Há ainda o Processo que pede o afastamento do atual gestor provisório. Quem conhece o processo acredita que o mesmo contenha elementos bem mais relevantes e consistentes dos que levaram ao afastamento do titular do mandato, JRKim;
  • Sem que nos esqueçamos: Há também outro Processo que trata do Afastamento de JRKim e que ainda está em curso. Quanto ao final do atual mandato, o Juiz não só deve se manifestar, como fazer o seu julgamento. E se o Processo citado no item acima for realmente consistente, basta os Advogados de JRKim anexarem tais documentos aos autos. E isto, se for acolhido, pode virar uma “bomba” de proporções catastróficas para o Projeto de Poder do atual Presidente Provisório em exercício no lugar de JRKim na Confederação do Taekwondo.


Qual a aposta pragmática do comando provisório da entidade?

Em tese, empurrar com a barriga que, no fim, tudo se ajeita, associado à máxima de George Berkeley (filósofo irlandês do Séc.18), que defendia: “primeiro as explosões, depois os concertos”. É possível que seja por estas razões que o Caso do Brasil Games, de São Paulo, tenha sido tratado de forma tão desleixada (LeiaE agora, José...”), que mesmo a Justiça determinando a sua inclusão, nada foi cumprido.

E é assim, numa ação temerária de alinhar as federações aos interesses políticos da ocasião, que a entidade vai buscando unanimidade. Tudo ao seu modo. Desfiliando quem se opõe ao seu Projeto de Poder ou esboça algum enfrentamento.

Ano Eleitoral

Até final de março deverão ocorrer as Eleições na CBTKD, porém, o silêncio sobre o assunto é evidente. Aqueles que ao longo dos anos vêm se legitimando para uma oportunidade de se tornar presidente da confederação, foram de forma autoritária e absurda afastados do processo, assim como foram afastados também lideranças com alguma notoriedade no taekwondo nacional, inclusive alguns formadores de opinião, críticos à atual provisória gestão.

As Chapas que concorreriam neste pleito já deveriam estar inscritas desde Setembro de 2012 pelas regras do “novo” Estatuto de Nov/2011. Mas se alguma chapa já se inscreveu nada se sabe. Possivelmente o atual Presidente Provisório em exercício na Entidade Nacional seja o único que se credenciou. Resta saber, no entanto, quem seria o seu vice. Possivelmente seja alguém do seu núcleo de confiança pessoal e de fora do Taekwondo.

Pelo perfil do atual Gestor Provisório, ele não daria o “mole” que JRKim deu ao deixar alguém com brilho próprio, ambições ou pretensões políticas virar seu vice.

Ainda assim, pairam dúvidas já que o próprio Estatuto Social, convenientemente alterado em 21/Nov/2011, esteja sendo questionado na justiça. E se observarmos com atenção o que disse o Juiz do Processo em despacho anterior (Leia Crise Institucional no Taekwondo Brasileiro), está caracterizado a dúvida. Ou seja, qual estatuto estaria em vigor?

Da nossa parte, faz algum tempo que alertamos ao Coletivo Taekwondista, por conta destas convenientes alterações, como já discutimos em Estatuto da CBTKD inviabiliza o Processo Eleitoral!!!.

Há várias razões para que o coletivo taekwondista fique preocupado ou apreensivo:

  • Imagem do Taekwondo, que comprometida, afeta até mesmo os que estão de fora do “Esquema Oficial” taekwondista;
  • Planejamento das equipes, clubes, comissões técnicas e atletas, principalmente por conta do Caos Institucional criado no Estado de maior presença de atletas de ponta no Taekwondo Brasileiro.
  • Instabilidade Institucional visto que aos que se atreverem questionar ou se opor a atual gestão provisória, certamente terá o mesmo destino da FTEMG, FETRON e FETESP;
  • Restam 2013, 2014 e 2015! São 3 Anos para formarmos um grupo competitivo para as Olimpíadas de 2016. E notem que há a Copa das Confederações de Futebol ainda este ano, Copa do Mundo ano que vem e Eleições.  Estes eventos realizados no Brasil acabam impactando ou influenciando a vida de todos nós, inclusive de atletas;
  • Há milhares de reais (Recursos Públicos) disponibilizados para o Taekwondo da CBTKD. Como justificar para a população brasileira a falta de resultados?
  • Como explicar que a política imposta pelo grupo que comanda a Entidade “oficial” do Taekwondo Brasileiro que, ao ser excludente, se apequena a cada dia e pode ser representante de um grupo minoritário ou bem menos representativo do que se imagina?


São estas as razões que deixam o Coletivo Taekwondista pasmo com as ações dos nossos dirigentes que, além de não quererem ser questionados, ainda usam de Dinheiro Público, que deveria impulsionar a vida dos atletas ou da modalidade, para pagarem Consultorias Jurídicas “caras” de modo a servir aos seus interesses no Jogo Político ou Sobrevivência no Poder. O que é lastimável.

Por ironia do destino, nem os velhos mestres coreanos (YMKim e JRKim), nascidos, criados e crescidos em uma Coréia em “eterno” Estado de Guerra, quando em postos de comando do Taekwondo Brasileiro, chegaram a este ponto.

O que se supõe que estamos vivendo uma involução. Porém, a um custo muito mais alto, inclusive para o Erário Público.


Redação Tkdlivre

 

Nota da Redação:

 

  • Aos questionamentos que este Editorial sugere, o Tkdlivre, se coloca de antemão, a disposição para, a quem interessar possa, exercer o Direito de Resposta ou fazer o contraditório.