Novo Mandato para o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro em uma transição interminável.

Artigo Publicado em 08/03/2013, as 09:45hs.


Ainda que tenha havido Eleição para um novo mandato (Quadriênio 2013/1016), e mesmo que esta venha a ser considerada legitima ou não, o fato é que o Ciclo de Transição no Taekwondo Brasileiro, que começou com a saída de Yong Min Kim em 2008 do comando da Entidade, não está encerrado.

 

Como era de se imaginar, ainda que de forma atropelada por conta da sua antecipação e as escuras, já que tudo foi mantido em silêncio ou sem a devida publicidade até os últimos instantes, no dia 06/03/2013 (Quarta-Feira) foi realizada a Assembleia Geral Ordinária para a Eleição do “novo presidente” da entidade que deve gerir a modalidade na sua versão “olímpica” e seus respectivos recursos “públicos” até 2016.

O SporTV esteve presente a esta Eleição, entrevistou o atual mandatário e dele tentou retirar respostas plausíveis que justificassem ações tão incomuns na seara desportiva, mas que na visão dele são absolutamente corretas, mesmo ao arrepio da lei desportiva.

A de se considerar que para este Processo Eleitoral ter sido, em tese, concluído e seu questionado gestor ter sido “reempossado”, foram necessários uma série de arranjos e mexidas, inclusive no Estatuto Social da Entidade, de modo a não colocar em risco esta eleição, conforme seus ocupantes assim desejavam.

Neste complexo e conturbado contexto não há nada definido. Melhor ou pior (como queiram) os imbróglios continuam e se acumulam!

Há um fato inconteste nesta situação: mexeram por duas vezes no Estatuto Social a mando do COB de modo a tirar, inclusive, o Poder do STJD no que tange ao trato das desfiliações, punições e cassações. Alias, assunto este ainda muito confuso.

Porém, depois destas alterações, as Garantias das Federadas passaram a ser zero. Basta o transitório gestor chamar três outros dirigentes estaduais da sua base aliada, projetar e potencializar uma situação qualquer, que ele já põe lenha suficiente para levar o assunto à uma AGE no intuito de desfiliar qualquer Entidade. Assim aconteceu com FETRON, FTEMG e FETESP. Garantias, defesa, recurso, contraditório e etc., Tudo isso parece bobagem na visão de um dirigente que, acima do bem e do mal, em nada contribui para a democracia taekwondista brasileira e pouco demonstra entender sobre o sentido do "Espírito Olímpico" e demais legislação que norteia a prática desportiva no Brasil.

Sob o controle desta contestada gestão, a Assembleia Geral da Entidade vira um Poder Soberano, que parece se portar acima das demais Leis deste País, inclusive de preceitos constitucionais. Um Colegiado que num universode 27 Federadas, mais se parece uma reunião de amigos. Parceiros de poder, também poderia ser apropriado.

A Assembleia Geral da Entidade é Soberana. É este o discurso, este é o entendimento.

A Assembleia Geral da Entidade deveria pelo menos entender que há os interesses de um coletivo de praticantes - entre os quais, atletas, treinadores, técnicos, professores, mestres e até o interesse da sociedade acima deste suposto “soberano poder”-, antes mesmo de considerar que há um Estado de Direito no qual estamos todos inseridos.

Evidentemente houve uma inversão de papeis. Tudo gira em torno dos interesses do comandante da entidade. A partir da “ordem posta”, qualquer federação, associação, inclusive associados ou vinculados, está sob a batuta deste “poder”. Basta criticar, questionar ou contrariar os interesses ou vontades deste comando. Parece irreal, brincadeira, não? Mas é assim mesmo que funciona.

Alias, um poder assim, que mais se serve do que serve é um poder que não serve.

A ilustração sugere uma reflexão. Há de se repensar a ordem das coisas. Faz-se urgente a definição de propósitos, do tipo: Quem serve quem?


Em que pé estamos...

Fazer política, participar, criticar, fiscalizar, querer disputar espaço nas instâncias de poder da entidade ou até mesmo exercer condição plena de cidadania em uma modalidade “olímpica” beneficiária e praticamente dependente de Dinheiro Público, pode ser motivo para suspensões, cassações, desfiliações ou exclusões por parte de seus gestores. Não há segurança ou garantias institucionais.

A ordem é colocar tal modelo de gestão em prática. Se não gostou, “procure a justiça”. Lá, a entidade com um aparato jurídico bancado também com Recursos Públicos, resolve a pendenga. E se algo fugir do “script”, como, por exemplo, ônus da sucumbência ou possíveis indenizações, a Entidade é quem deve paga a conta.

É neste contexto que sobrevive o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro.

Subserviente, excludente e segregado.

Ah, sim 2016?

Quem liga?

 

Redação Tkdlivre

 

 

Nota da Redação:

 

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