Taekwondo Brasileiro e sua “nova direção” sob suspeitas e investigação

Artigo Publicado em 27/06/2013, as 13:00hs


O Taekwondo no Brasil controlado pela Confederação “oficial” de Taekwondo que gerencia as verbas e investimentos públicos para organizar a modalidade como Esporte “Olímpico” tem vivido um tenso e complexo momento político e institucional.

Para quem acompanha os bastidores da modalidade e estuda os meandros do poder central da entidade esta situação nem chega a surpreender, nem espanta.

A novidade do momento é a investida do COB para entender melhor o que se passa dentro da entidade sob o comando de uma polêmica e questionável gestão que se apossou do controle da modalidade desde uma suposta rasteira que teria sofrido JRKim, o ex-presidente da entidade, culminando com o afastamento do comando do taekwondo nacional no final de 2010.

Consequentemente, o interesse da grande imprensa pela questão vem na carona, o que é também normal. E esta pressão deve aumentar tão logo se encerre a Copa do Mundo de 2014.

Muita calma nesta hora...

É prematuro arriscar o que teremos pela frente. No entanto, a onda de protestos que assolam o país, inevitavelmente, respingaria na modalidade, principalmente pelo acúmulo de denúncias de suspeitas de irregularidades na atual gestão do Taekwondo “Olímpico” Brasileiro.

Conforme Nota do COB, amplamente divulgada na mídia esportiva, a autoridade olímpica brasileira estaria formando uma comissão para investigar as denúncias apresentadas a entidade.

Daí, temos algumas situações distintas:

  1. De um lado, se esta Comissão for a fundo no conjunto probatório que vem sendo organizado e sistematizado desde 2011 (o qual deu origem a inúmeras demandas judiciais ainda em curso), a situação da atual gestão pode se complicar.
  2. Por outro, se esta comissão assumir uma postura conservadora, de modo a dar “apenas” uma resposta pragmática às reivindicações e conter na raiz possíveis mobilizações, tudo este esforço poderá dar em nada.
  3. Noutra perspectiva, se esta comissão estiver em sintonia ao que o próprio Gestor da Confederação do Taekwondo “Olímpico” Brasileiro classificou as denúncias: "Isso não passa de uma palhaçada! O COB já fez uma vistoria na Confederação, tudo foi apresentado de um ano para cá. Essa atitude de criar uma comissão é só para o COB dar uma resposta independentemente do que já vem sendo feito. É um teatro - disse Carlos Fernandes" em Reportagem recente no Globo Esporte, podemos assistir a uma peça teatral mesmo, com a simples finalidade de conter uma possível onda de protestos junto ao Circo Olímpico Nacional, de modo a nada acontecer e o mandatário sair apenas um pouco mais desgastado, além do que já está, mas podendo se recuperar facilmente.
  4. Estaria o COB fazendo "um teatro" em sintonia e a serviço do gestor do taekwondo brasileiro?

 

Estatuto de 2011, a origem dos conflitos

Até o momento, a Redação do Tkdlivre não teve notícia se entre a pauta das reivindicações do grupo de taekwondista que foi ao COB protocolar as denúncias, se foi questionado a determinação, chancela ou homologação por parte da Autoridade Olímpica Brasileira das Mudanças Estatutárias feitas em Nov./2011 que serve de marco destas denúncias.

Sendo que foi com uma suposta chancela do COB que o atual gestor do taekwondo sob investigação promoveu alterações no Estatuto Social da Entidade iniciado um desequilíbrio institucional e democrático interminável. Destas mudanças, destacamos basicamente 3 pontos que nos parecem mais relevantes:

  • Eliminou, atrapalhou e excluiu concorrentes, garantindo assim uma reeleição sem risco;
  • Garantiu o controle disciplinar do coletivo taekwondista de modo a expurgar e desfiliar entidades e taekwondistas que criticavam ou se opunham ao projeto político de poder em curso;
  • Enxugou itens que tinham como função a fiscalização de atos do executivo da entidade, deixando seu gestor sem freio, travas e limites.

Com isto, há algo muito mais grave a ser esclarecido:

  • O nome do COB foi usado de forma indevida de modo a chancelar as mudanças que lhe convinham?
  • Se e somente se, o COB efetivamente foi quem determinou, homologou ou chancelou tais mudanças estatutárias, neste caso, tudo que o COB tentar ou se propor a fazer fica sob suspensão.

Por conta destes fatores, todo o cuidado e cautela é pouco visto que, ainda estamos há pelo menos 1 ano do final da Copa de 2014, época onde os olhares se voltam para as Olimpíadas de 2016.

Mea Culpa

Nunca é demais nos desculpar com o leitor por conta de termos subestimado o momento dando férias para o nosso chefe de redação, o que contribuiu para uma inércia momentânea do Tkdlivre num momento crucial da história do país e consequentemente do Taekwondo Brasileiro.

Estamos de volta.


Redação Tkdlivre

 

Nota da Redação:

 

 

 

 

  • De qualquer forma, aos questionamentos que este artigo sugere o Tkdlivre, se coloca de antemão, a disposição para, a quem interessar possa, exercer o Direito de Resposta ou fazer o Contraditório.