Bastidores do Taekwondo Brasileiro - 2012 começa “quente”

 

 

 

Artigo Publicado em 21/02/2012 - 10:00 hs


Para quem pensa que no Brasil tudo só começa depois do carnaval, esta regra já não vale mais para o taekwondo brasileiro. Quando imaginávamos que o jogo político em 2012 iria começar a esquentar apenas depois da quarta feira de cinzas, a bomba já estava pronta e deflagrada. Estamos falando do fato novo que vem sacudindo os bastidores do taekwondo brasileiro: a mais nova versão do Estatuto Social da CBTKD.

Dizer que o estatuto social vem, ao longo dos anos, servindo aos interesses dos “donos” do poder que se revezam no comando da entidade mais importante do taekwondo brasileiro, seria como “chover no molhado”, mas a cada temporada os nossos próceres se superam.

Entendemos que nossos gestores e seus propósitos deveriam evoluir tanto quanto se propõe em belos discursos, quando se candidatam a funções de tamanha responsabilidade.

Mas desta vez se superaram. A “bola da vez” é o festival de “tiros nos pés” que foram dados, como votos excluindo ou impedindo os próprios representantes das federações estaduais que lá se fizeram representadas, de poderem se candidatar ao cargo máximo do taekwondo brasileiro.

Observem o disparate: se a Constituição Brasileira diz que a idade mínima para ser Presidente da Republica é 35 anos e Governador 30 anos, onde estavam com a cabeça os ilustres presentes da tal AGE para achar que para administrar a CBTKD é preciso ter no mínimo 40 anos?

Sem falar que muitos dos dirigentes estaduais que lá votaram ou se fizeram representar, nem idade para tanto tinham se assim desejassem. Para piorar, nem pararam para refletir se o próprio dirigente da entidade nacional, teria os 5 anos mínimos exigidos de experiência em uma federação estadual, ou quem sabe, entender as condições que o mesmo deixou a federação do RJ quando por lá passou, num curto período de tempo antes de entrar na Confederação, desde então desmantelada e sem direito a voto na própria entidade que agora preside.

Porém, pior mesmo, é proibir de concorrer a cargo eletivo da entidade os brasileiros naturalizados, numa declaração de total desprezo à Constituição Brasileira. A dúvida que nos cerca e a de que, seria esta, uma declaração de incompetência, ignorância ou de deboche mesmo?

Outra ironia, os presidentes como os de SP, MG e ES podem ter dado procuração, para, em troca, serem proibidos a uma possível candidatura à entidade nacional.

Como nossos dirigentes sempre se superam, a ironia maior é que enquanto o Art. 5º da Constituição Brasileira - aquela que os dirigentes não tomam conhecimento - trata Dos Direitos e Garantias Fundamentais, o Art. 5º do novo estatuto da entidade trata das restrições. Uma irônica e maquiavélica coincidência.

O momento é oportuno também, para alertar que o comando do taekwondo nacional, desde 1974, data da aprovação do seu registro na CBP, esteve sob a liderança dos mestres coreanos. E tentar retirá-los do jogo, ou impedir a possibilidade de uma candidatura deste grupo é um golpe totalmente reprovável. Nem é por ai que se jogo politicamente num estado democrático.

Sem falar que o dirigente que agora ocupa o comando da entidade, só se encontra lá por conta de um longo imbróglio jurídico, num mandato no qual não foi eleito, nem em primeira nem em segunda opção para ocupá-lo, já que entrou no decorrer do mandato, na vaga de um vice que já teria substituído o vice original. Os dois vice-presidentes antecessores renunciaram ao cargo, antes do presidente eleito ter sido cassado.

Para o leitor entender melhor a situação, poderíamos dizer que, para o mandato em curso (2009/2012), que o atual mandatário ocupa, teve que no primeiro embate retirar sua candidatura na hora do voto e apoiar JRKim por perceber que seu grupo não tinha votos suficientes para ganhar de Yeo Jun na primeira disputa eleitoral. JRKim acabou eleito Presidente. Meses depois numa revanche, ao se candidatar para vice-presidente, perdeu novamente no segundo embate eleitoral. Yeo Jun foi eleito na vaga do vice de JRKim que renunciou. Portanto, o atual presidente da entidade, só foi eleito para vice na terceira vez, depois da renúncia de Yeo Jun. Desta vez, sem concorrente.

Depois disto, coordenou um processo que culminou com a cassação do presidente eleito originalmente, coincidentemente, seu ex-mestre e padrinho político.

Portanto, tentar esta manobra, que muitos consideram um verdadeiro golpe, onde mal completaria um ano de mandato “tampão”, enquanto o presidente afastado ainda luta na justiça para ter seu mandato de volta, nos parece um despropósito.

Nós do Tkdlivre por anos criticamos o extenso “reinado coreano”, ocupado por mestres coreanos naturalizados no comando da entidade nacional. Não por xenofobia, pois nem combina com a cultura brasileira, nem por preconceito ou implicância, mas por entender que a figura do grão-mestre, ou melhor, a “instituição” Grão Mestre não combina com gestão esportiva. Destacando ainda que a perdição destes notáveis grão-mestres coreanos foi agravada pela cultura política esportiva deste país, principalmente quando se alinharam às práticas, vícios e equívocos pertinentes à cartolagem esportiva nacional.

Mesmo assim, em hipótese alguma, compactuamos com a exclusão deles ao legítimo direito de participarem do processo político eleitoral, garantido constitucionalmente, que dá credibilidade aos princípios democráticos que regem as instituições deste país.

Sem contar ainda que excluí-los do processo é golpe baixo, típico de políticos covardes querendo limitar ou eliminar a concorrência. O que consideramos inadmissível.

Infelizmente tal estatuto ainda é assunto de foro íntimo dos nossos dirigentes, e tratar do tema pode gerar represálias e quem sabe até processos. Portanto, vamos nos recolher por aqui e, quem sabe, no momento oportuno, com a ajuda e assessoria dos nossos colaboradores da área jurídica, fazer uma análise de forma mais calibrada sobre tamanha escorregada.

Entendemos que não é assim que a banda toca, nem é este o taekwondo que queremos construir em nosso país.


Redação Tkdlivre