Gestão Carlos Fernandes não está de brincadeira


Texto do Editorial da Semana 28 11 - Publicada em 05/Julho/2011

Prezado internauta, quando nos preparávamos para comemorar um fato efetivamente relevante para o taekwondo nacional, que foi a classificação do atleta Diogo Silva para as Olimpíadas de Londres no próximo ano, fomos surpreendidos com uma “prévia e amigável advertência” assinada por um assessor jurídico e pelo Superintendente Executivo da entidade nacional “oficial” do taekwondo brasileiro, a confederação brasileira. Nota esta que estaremos dando publicidade, para que toda a imprensa nacional saiba como agem os atuais gestores para reprimir as mídias que resolvem questionar suas ações políticas e executivas. Vejam a notificação.

A NOTIFICAÇÃO EXTRA-JUDICIAL expedida em 14/06/2011, exige que o Tkdlivre retire do ar qualquer logomarca da entidade e que se abstenha de citar o nome da entidade - inclusive sua sigla. Exige também a retirada de qualquer banner de eventos oficiais chancelados por ela. Se não bastasse, ainda exigem que o site retire os banners dos links das federações estaduais, isto é, os banners dos sites das federações, tais como os que estão com as logomarcas das federações de Santa Catarina, Paraná, Bahia, Ceará, Goias e Rio de Janeiro.

Além de tais exigências, roga esta notificação que o Tkdlivre “cesse a publicação de comentários e matérias que denigrem a imagem da Notificante sob pena de responsabilidade civil”. A atitude acaba sendo entendida literalmente como uma Lei da Mordaça.

Vamos fazer uma leitura mais sensata da NOTIFICAÇÃO em questão:

1 - Exigir que o Tkdlivre não use a Logomarca da Entidade, nem precisava, pois nunca fomos autorizados a usar. Quando usamos, nossa ação é totalmente altruísta em favor do taekwondo nacional e se faz por meio de alguns banners de sites ou de eventos. É propaganda gratuita.

Todavia, prevendo tal imbróglio, já vínhamos evitando tais inserções, embora tenhamos dúvidas se tais exigências são corretas, tendo em vista a crença de que tais logomarcas não sejam registradas no INPI. Ainda assim não se perde nada em evitá-las.

2 - Não “usar” o nome nem a sigla da Entidade soa muito estranho, pois se considerarmos que a entidade está legalmente constituída, possui nome próprio, registro em cartório e CNPJ, como se referir a ela? Que nome usar, então? Ou só se deve citar quando for para elogios?

3 - Proibir o Tkdlivre de divulgar os banneres dos eventos oficiais. Ora, quem deveria dar um parecer sobre isso deveria ser o Departamento de Marketing da Entidade, já que a comunicação deve estar sendo negligenciada. Não perdemos nada com isso. Quem perde é o organizador do evento que poderia ser “mais visto”, inclusive fora do Brasil.

4 - Proibir que publiquemos os banners dos sites das federações estaduais, francamente, esta é de lascar, pois fazemos propagando de graça da entidade e não de seus gestores. É também para facilitar a vida do internauta que quer liberdade e comodidade para navegar por diversos sites de interesse. Ainda assim vamos aceitar a imposição. Porém, sabemos da autonomia política, jurídica e estratégica de cada entidade estadual. Portanto, deixaremos a cargo de cada presidente autorizar a manutenção de seus banners. Mas enfim, quem perde e quem ganha com isso? Vamos ocupar o espaço com outros links. Isso é o que não falta. Há links interessantíssimos no Brasil, inclusive no taekwondo mundial, como, por exemplo, os das federações internacionais. O taekwondista brasileiro vai poder até comparar o profissionalismo dos gestores destas entidades com o da nossa.

5 - Cessar a publicação de comentários e matérias que denigrem a imagem da Notificante sob pena de responsabilidade civil é outro pedido que merece uma reflexão mais ponderada. A começar com o seguinte: a preocupação é com a imagem da entidade nacional ou com a imagem da atual gestão? Esta talvez seja o cerne da questão. Por outro lado, há um enorme subjetivismo neste ponto: o que denigre e o que não denigre a imagem da Entidade? A entidade está lá. E sempre vai estar. Ela não sai de moda. Quem sai de moda são os que passam por ela.

Por outro lado, a atual gestão faz uma enorme confusão com os termos comentar e utilizar. Há uma diferença muito grande neste caso para os dois conceitos. Algumas destas exigências chegam ao limite do absurdo e se configuram numa clara tentativa de intimidação. O que não cabe num mundo moderno cada vez mais sem fronteiras, numa sociedade democrática e muito menos numa entidade que vive de recursos públicos.

Mas a discussão não acaba por aqui, pois o imbróglio jurídico criado merece uma profunda reflexão, sobretudo quando se fala no estilo gerencial dos gestores que estão no comando desta entidade.

Neste caso, voltamos a bater numa tecla antiga, que é a questão do ônus e do bônus, ou seja, nossos dirigentes acham bacana ocupar o poder e usufruir do status e do glamour que o posto permite. Têm poder de barganha para fazer concessões e parcerias políticas, viajam, vão a coquetéis, nomeiam parceiros políticos, tem verbas disponíveis, inclusive para suas aventuras jurídicas etc. E tudo isso com dinheiro público da Lei Piva ou de parceiros, como é o caso da Petrobras. Porém, não querem arcar com o ônus, principalmente quando este vem por meio de críticas. Ficamos a imaginar quais sanções pode sofrer Diogo Silva se despejar toda a sua mágoa à imprensa.

Aí, criam políticas desportivas que interferem na vida e nos sonhos de milhares de praticantes por todo o país. Enfiam técnicos “goela abaixo” dos atletas, criam regulamentos que arrebentam com o planejamento de equipes e treinadores, fazem um sistema de ranking que credencia atletas a vagas na seleção ao final do ano sem que se saiba, por exemplo, quais opens vão valer pontos. Pior, quantos pontos. E não querem ser criticados, muito menos questionados.

Seria isto quando se referem a comentários que denigrem a entidade? Afinal de contas dizer que um gestor é incompetente ou autoritário vai manchar a imagem da entidade que ele gerencia ou tão somente a do gestor?

Por acaso o Tkdlivre não vem ao longo dos anos fazendo uma defesa solitária da transparência e da seriedade dentro da entidade nacional do esporte? Não foi este o discurso que levou o atual mandatário da entidade ao posto que ocupa hoje?

Quando, ao longo destes anos, defendemos uma medida que não tenha sido para fortalecer a legitimidade e a credibilidade da Entidade?

Quando que o Tkdlivre teve alguma atitude para denegrir a imagem desta Notificante?

Portanto, tentar calar a voz das mídias alternativas por meio da ameaça não vai resolver o problema dos equívocos que se repetem nesta atual gestão.

Além do mais, não era isso que esperávamos do primeiro gestor “brasileiro” no comando da entidade.