Taekwondo brasileiro: nova direção que se sustenta aos trancos, solavancos e contradições.

Artigo Publicado em 31/10/2013, as 20:30hs



Por
José Afonso*

É curioso que as "vésperas" da Primeira Olimpíada no Brasil a gestão que cuida do Taekwondo "Olímpico" Brasileiro, regada a recursos públicos, venha se especializando, ao que aparenta, em se envolver em situações, no mínimo, embaraçosas e de inevitáveis consequências. Oxalá não comprometa a imagem do Taekwondo Brasileiro em um momento crucial mais próximo a 2016. Muito embora, alguns gargalos presentes sejam mais que suficientes para se colocar as "Barbas de Molho" com o que poderá acontecer em um futuro não muito distante.
Ainda que nem precisemos mais bater na mesma tecla, é bom lembrar, para um melhor entendimento do leitor, que bastou a imprensa chegar ao STJD desta mesma entidade questionando imbróglios políticos e jurídicos no qual a atual gestão tem se envolvido

 - Leia SporTVNews em 07/03/2013 "Substituídas, federações escancaram crise política no taekwondo brasileiro" -, para o atual gestor afirmar que não reconhecia a legitimidade deste tribunal, naquela ocasião.

Afinal, não reconhecia por quê?

Não por acaso, ao que tudo indica, trataram de encurtar um mandato em curso para emplacar um "novo" STJD da Entidade, como foi publicado recentemente no Site "Oficial" da entidade em 10/10/2013 - "STJD julga infrações disciplinares de atletas e homologa decisões da Assembleia" e "STJD em plena atividade", assim como no site "oficial paralelo" em 10/10/2013 - "STJD julga infrações disciplinares de atletas e homologa decisões".

E este "novo" tribunal, começou sim, “em plena atividade”! Porém, para não destoar do seu mandatário, em plena atividade, em tese, com ações questionáveis. Debrucemos-nos em dois pontos centrais desta primeira atividade deste atual STJD, que inicia seus trabalhos com a legitimidade e credibilidade em baixa. Observemos os casos:

  • Punição aos Atletas Diogo Silva e Thiago Simões e;
  • Homologação da desfiliação da Federação de Taekwondo do Estado de São Paulo (FETESP).

Sendo que  “... aos processos de homologação das desfiliações da Federação de Taekwondo do Estado de Minas Gerais (FTEMG), da Federação de Taekwondo do Estado de Rondônia (FETRON) e do Sr. Marcelino Soares foram adiadas para a próxima sessão, em virtude da ausência do relator, por motivos de saúde.”

Ora, o Caso da Punição dos Atletas que teriam se posicionado com declarações críticas “imaculando” a imagem de um certo dirigente cuja zona de conforto político não abre mão, até o momento, não há publicação de qualquer decisão deste tribunal a respeito. O que começa a não cheirar bem.

Nem mesmo informaram quem foram os tais “procuradores” que atenderam alguma chorumela da cartolagem, formalizando denúncia aos atletas. E mesmo que isto nem venha a dar em nada, o que seria uma derrota a gestores de vaidade exacerbada, na melhor das hipóteses, já conseguiram criar um clima de insegurança e instabilidade ao maior nome da modalidade neste momento no país, Diogo Silva, em preparação para o Gran Prix da Inglaterra.

Porém, é no caso das federações cassadas que a coisa cheira ao absurdo. E num modus operandis similar, quando sustentaram o afastamento do ex-presidente JRKim, com uma auditoria fraudulenta, confirmada mais tarde pela própria entidade que, por Sindicância Interna, descobriu o que já se criticava anteriormente, dando conta de que havia um Auditor que não podia Auditar.

Mais irônico ainda é saber que lideranças como a de Marcelino Soares também foram punidas por dizerem a verdade, mesmo que depois, tenha sido confirmadas tais denúncias feitas por ele, inclusive, em outras sindicância realizadas pela própria entidade.

Voltando a segunda questão, fica uma dúvida, afinal:

As Federações, até esta tal "homologação", estavam ou não desfiliadas?

Eis alguns pontos para reflexão:

1. As desfiliações das Entidades - FETESP, FTEMG e FETRON, levadas a cabo pela atual Gestão foram, somente agora em 07/10/2013, homologadas pelo “novo” STJD da Entidade que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro.

2. Há de se considerar que o STJD no pleno curso do seu mandato, que se estenderia até o final de 2013, não as fez, tampouco concordou com tudo isso. E, por se opor a tais desfiliações, foi, em tese, destituído! E um “novo” constituído.

3. Ao refletir sobre a questão, pode-se observar algumas lambanças que justificariam, se for o caso, o ingresso de demandas por danos morais causados pela atual Gestão da Entidade que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro e, inclusive ao site “oficial paralelo”, as quais citaríamos:

a - Se a lei informa que é necessária a homologação do STJD para que a desfiliação seja realmente efetivada, podemos entender que até então, ou seja, até a data de 07/10/2013, a FETESP estava filiada.
b - Da mesma forma, como “... aos processos de homologação das desfiliações da Federação de Taekwondo do Estado de Minas Gerais (FTEMG), da Federação de Taekwondo do Estado de Rondônia (FETRON) e do Sr. Marcelino Soares foram adiadas para a próxima sessão, em virtude da ausência do relator, por motivos de saúde.” Neste caso, podemos entender também que FTEMG e FETRON, inclusive o Marcelino Soares, continuam filiados.
c - Mesmo assim, e apesar dê... a Entidade que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro, convoca em 30/10/2013 - Assembleia Geral Extraordinária, para filiar ou não outra Federação em Minas Gerais no lugar da FTEMG, sem falar que em Rondônia, já tem outra no lugar da FETRON, faz é tempo.
d - Neste sentido, todas as notícias, amplamente veiculadas nos sites da Entidade que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro e no seu Site “oficial paralelo” foram apenas para macular e prejudicar a imagem das Entidades perante toda a comunidade desportiva nacional.
e - Independentemente de reflexões mais profundas...um fato está provado: o atual STJD homologou as desfiliação fora do prazo CONSTITUCIONAL DE 60 DIAS, podendo até mesmo estar atuando de forma temerária, prejudicando ainda mais a imagem das Entidades.


4. A pergunta que se faz é a seguinte: quem arcará com o dano causado a imagem dos Srs. Marcelino, Yeo Jun e das Entidades: FETRON, FETESP e FTEMG?

5. Diante de tamanhos absurdos, nos parece plenamente possível AÇÕES CONTRA A ENTIDADE QUE CONTROLA O TAEKWONDO “OLÍMPICO” BRASILEIRO e também, ao seu SITE “OFICIAL PARALELO”... pelas notícias publicadas - prematura e intempestivamente.

Contradições que não sustentam discursos

Vejamos o que disse o Presidente da Entidade que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro a SporTV News em 07/03/2013, quando questionado sobre as cassações das federações. Ele se defendeu argumentando que teria agido com base no próprio estatuto da confederação que limita a intervenção do STJD a competições e eventos esportivos. E foi enfático:

“- Quem tem boca fala o que quer. Tudo que foi conduzido, desfiliação e filiação, foi feito tudo dentro da lei. Nós não entendemos que seja competência do STJD tomar uma atitude dessa. Eu não reconheço esse STJD. O STJD, pelo nosso entendimento, tem o entendimento de ver o lado de disciplina do atleta. Agora, essa mágica que eles fizeram até eu quero saber – criticou.

Neste caso, caberia alguma explicação, seja do mesmo mandatário ou de seus asseclas sobre a mudança de opinião, pois se entendiam que tais demandas não eram de competência do STJD, agora, seguindo as mesmas RAZÕES do atual mandatário:

O que este STJD está fazendo ao Homologar tais Desfiliações?

“...Agora, essa mágica que eles fizeram até eu quero saber...”

Desta feita, fazendo nossas, as palavras do Presidente da Entidade que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro à SporTV News, em 07/03/2013.

"...essa mágica..." até nós queremos saber!!!

São questões deste nível de complexidade que, não só geram instabilidade institucional, esportiva e política à modalidade, como também deixam dúvidas sobre as consequências destas ações à vida institucional, política, marcial e esportiva dos praticantes do Taekwondo Brasileiro.

Que nível de credibilidade merece esta gestão que se envolve em contradições tão evidentes?

Quem vai arcar com ônus decorrente destas ações, sem falar de outras demandas judiciais em curso, tais como Pendências com a LNT e seu caso mais grave do ponto de vista monetário: a multa imposta pela Justiça, por conta do Boicote ao Brazil Games em 2011, e que até agora não foi revertida?

Será que as federações e lideranças que tem apoiado esta gestão estarão dispostas a arcar com esse ônus?

Quem viver, verá!!!

 

*O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.

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