Erro ou jogada política?

Artigo Publicado em 13/04/2012, as 11:00hs.

Eventos esportivos a serviço dos interesses políticos, quando as mazelas políticas começam a atrapalhar a vida dos atletas de taekwondo.

 


- Por
José Afonso* -

A crise política criada pelo atual Presidente provisório em exercício da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD), na própria entidade, principalmente depois da infeliz ideia de alterar o Estatuto da Entidade a seu favor em novembro de 2011, mergulhou a entidade que gerencia o taekwondo olímpico brasileiro numa crise sem precedentes e já atinge a área técnica e, consequentemente, a vida dos atletas, principalmente aqueles do alto rendimento que correm atrás de um melhor posicionamento no ranking da modalidade para tentar vaga na seleção principal do país numa seletiva marcada para o início de 2013.

Apesar do estar definido no Calendário Nacional desde o início do ano, estarmos ultrapassando o 1º quadrimestre, ou seja, um 1/3 de 2012,  e este calendário já deveria estar pronto, definido e acabado. Mas, infelizmente não!

Não são apenas as mazelas políticas ou a falta de planejamento esportivo que preocupam e atrapalham atletas e treinadores, mas as indefinições de eventos que surgem fora de hora sendo anunciados de forma atabalhoada como válidos para a pontuação no Ranking Nacional.

Qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade na área esportiva vai perceber que ao se tentar adequar o Calendário Internacional, Nacional e Estadual à vida dos atletas de taekwondo do Brasil, a jornada se torna desumana e estressante, mesmo àqueles que são profissionais do alto rendimento.

E se não bastasse, o calendário vai mudando com a direção dos ventos, incluindo eventos de uma hora para outra, bem como alterando pesos e medidas, com pontuação desconexas com o regulamento em vigor que a própria entidade criou.

Imagem I: Calendário Nacional CBTKD 2012, como dá para notar, em 10/04/2012, ainda sujeito "à ajustes" - Fonte: Site da CBTKD (válido até esta data)

 


Diante de tais fatores não há planejamento, periodização, recursos, condição físicas e psicológicas dos atletas que justifique ou suporte tamanha irresponsabilidade.

Entre outras invencionices que ainda estão por surgir, o que chama atenção é o Caso do Porto Alegre Open, que nem aparece no Calendário Nacional, apesar de estar sendo anunciado nos Sites da Entidade estadual e no da Entidade Nacional.

Imagem II: PoA Open 2012  (Site da FGTKD em publicado desde 23/06/2012)


Da mesma forma, estranha o fato deste evento (Porto Alegre Open) ser um “OPEN”, cujo regulamento o indica como B5 (que valem 5 pontos para o Ranking Nacional), porém, pode ter sido negociado, por conta de estar sendo anunciado como B3, ou seja, valendo 10 Pontos, o mesmo valor de um Campeonato Brasileiro Interclubes, por exemplo.

Imagem III: Critérios do Ranking (Fonte Site da CBTKD)

Esta anomalia ou desrespeito às regras do jogo, criados pelos próprios gestores atuais da entidade, coincidem com dois momentos importantes da vida política do taekwondo nacional em 2012: a AGO de Prestação de Contas da Entidade (realizada recentemente em 30/03 no RJ) com o silêncio e a omissão de contestadores históricos, assim como no mesmo dia, a participação do dirigente gaúcho, maior interessado neste benefício, em uma comissão “inquisitória” da entidade, criada para punir mestres de taekwondo atuantes na mídia alternativa, os quais fazem critica às ações políticas do atual Presidente provisório em exercício na Confederação.

Acreditamos que a área técnica da entidade saberá se desvincular destas infelizes ações, típicas do campo das articulações políticas e corrigir estas distorções. Da mesma forma, divulgar no site oficial da entidade, além dos devidos esclarecimentos, um Calendário definitivo para garantir um planejamento mínimo para nossos atletas, as estrelas maiores deste teatro esportivo.

Além disso, seria oportuno que o Presidente provisório em exercício na Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD) e seus parceiros políticos, principalmente os Presidentes de Federações, entendessem que embora a CBTKD seja um entidade de caráter privado, ela não é uma empresa particular, já que tem nos seus propósitos, a gestão de interesses coletivos.

Assim como um entendimento de que a CBTKD é parceira do COB e do Governo Brasileiro na gestão do Esporte Olímpico e que, portanto, é gestora de Verbas Públicas para o sucesso da modalidade olímpica a que lhe compete organizar: o Taekwondo.

Neste sentido, os interesses políticos de seus gestores, em escala de relevância, devem estar bem abaixo dos interesses dos atletas, bem como, dos interesses estratégicos desta Nação que busca melhor posicionamento no cenário esportivo internacional.

Não podemos esquecer, também, das Olimpíadas de 2016, quando a população vai criar expectativas e sonhar com medalhas.

 

*O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.

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