A vida anda ruim na aldeia...

Artigo Publicado em 28/06/2012, as 16:00hs.

“Vivendo num tempo fechado...
Correndo atrás de abrigo...

Exposto a tanto ataque...
Você tá perdido...”

(Cazuza)

 

Por: José Afonso

Não há como fingir que a vida no taekwondo brasileiro não anda um tanto pior do que era. A cada capítulo da novela “TKD Brasileiro, sob Nova Direção”, vai ficando mais claro que a atual gestão, perdida politicamente, vem metendo literalmente os pés pelas mãos. E para constatarmos se esta análise procede ou não, além dos fatos objetivos não desprezar a política do medo ou a caça as bruxas imposta, desde que o atual mandatário da CBTKD (ainda que provisoriamente no cargo), assumiu o comando da modalidade no País. E pelo jeito não há limites nesta investida autoritária.

O caso que serve de referencial para esta reflexão é o das recentes suspensões dos mestres Marcus Rezende e Jair Queiroz.

  • Motivo? O fato dos dois escreverem textos de conteúdo crítico a atual gestão.
  • Justificativa? Que tais textos, supostamente “degrinem” ou “imaculam” a imagem da Entidade Nacional, como diria um dos seus maiores expoentes.
  • Explicação? A atual Gestão, não sabe lidar com a crítica e, portanto, não a tolera.

Quem sabe, lendo e relendo com mais atenção o que escrevem ou escreveram estes dois importantes formadores de opinião no taekwondo brasileiro, o leitor não teria uma melhor medida para o entendimento da questão.

Imaginem se a Presidente Dilma Rousseff usasse deste mesmo expediente aceito com normal no tkd brasileiro? Felizmente o Poder Executivo e o Poder Judiciário são instancias independentes. Um GOVERNA e o outro JULGA! Além do mais, a Presidente Dilma não faria isso, já que vivemos num país democrático, e isso por si só já lhe impõe limites. Porém, vale registrar o que ela disse: “Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras” - ao afirmar também que as críticas do jornalismo livre ajudam o país e são essenciais aos governos democráticos.

Infelizmente a atual gestão não se enquadra neste contexto e o recurso das comissões inquisitórias, assim como processos judiciais e notificações extrajudiciais tem sido usado para intimidar os que ousam criticá-la.

- Santa Inquisição!!!

O Processo Inquisitório, denominado Procedimento Administrativo que resultou na suspensão de 6 Meses das (??)“atividades”(??) destes mestres levanta uma outra questão bastante relevante: Todos os taekwondistas, sejam eles praticantes, atletas, técnicos ou dirigentes, filiados ou vinculados, mesmo tendo direitos bem restritos ou limitados, inclusive nas suas respectivas federações, ESTÃO SUBMETIDOS ao Art. 50 e 51 - Capítulo XII - que trata Da Ordem Desportivas e suas Penalidades do Estatuto Social da CBTKD. Este Capítulo é um “Cheque em Branco” para o mandatário da Entidade agir de forma que lhe convier. Em especial o item 7 do Art. 51. Que diz:

Um absurdo e inaceitável no jogo democrático em se tratando de uma entidade nacional que gerencia interesses coletivos.

Aceitável seria, se a instância apropriada como o STJD, independente, composto por pessoas com um razoável conhecimento jurídico se encarregasse de analisar estes casos. Entretanto, dar ao próprio presidente da entidade um poder SUPREMO, pelo qual convoca parceiros políticos em interesses comuns, para formar uma comissão inquisitória com o objetivo de julgar os críticos ou opositores, nos parece uma piada ou um deboche ao Estado de Direito.

Vejamos a Comissão que “julgou” e “puniu” o Caso Marcus Rezende formada por 3 membros, entre eles,

  • O primeiro, um dos maiores defensores e fervoroso bajulador do atual mandatário, há inclusive artigos dele no próprio site da Confederação que detona sua “imparcialidade”;
  • Outro, um velho dirigente que, depois desta participação, teve como presente agregado mais cinco pontos ao seu Open Particular. Ou seja, “rasgaram” o regulamento que disciplina o Ranking Nacional, sem falar que este senhor já é algoz de processo na justiça tentando enquadrar a mídia crítica. Só esta posição já detona sua imparcialidade para lidar com casos desta natureza. Mesmo se sua atuação fosse legal, já estaria impedido por falta de serenidade;
  • O terceiro, um cidadão que teria ocupado um cargo tampão de dirigente numa federação de legalidade questionável, com seus direitos suspensos e em vias de cassação pela própria entidade. Porém, fiel escudeiro do atual mandatário da entidade e responsável pela instauração dos processos em questão.

Considerando que os mesmos são membros de poderes (políticos) dentro taekwondo brasileiro, já que se tratam de Presidentes ou representantes de Federações, a Lei proíbe tal participação por entender a precípua falta de imparcialidades. Portanto, querem enganar quem?

Outra incoerência: E os artigos em forma de entrevistas expostos no Site “Oficial” da Entidade que seguem a mesma linha crítica, de confronto ou de embates políticos? Quem os analisa ou os julga? Neste caso, pode?

Ou quem sabe “atentar contra a moral, a dignidade, promover, divulgar calúnias, mentiras e difamação” contra opositores do “atual regime” feitos por e-mails, redes sociais ou blogs anônimos assinados por pseudônimos de covardes que não tem coragem de expor de forma legítima o que pensam? Como ficam estes casos?

A única prática criminosa que temos é o ANONIMATO! O que não é no caso dos mestres em questão que foram “julgados e condenados” por dizerem e sustentarem o que pensam de forma clara, democrática e legítima, assinando em baixo o que escrevem.

Com este nível de desfaçatez, fica a dúvida: quem são os maiores responsáveis por esta desgraceira? 

  • O atual mandatário provisório da entidade?
  • Os dirigentes estaduais que, ao votarem ou delegarem procurações, se prestam (no caso que trata este artigo) a tamanho desserviço ao taekwondo brasileiro, submetendo-se a fazer parte deste circo?
  • Os membros da AGE que aprovaram um Estatuto Social em novembro de 2011, considerado ilegal e inconstitucional, dando poderes ditatoriais ao dirigente da ocasião?
  • O Jurídico, muito bem pago com verbas da Lei Piva, que cacifa tamanha barbaridade ou aberrações no trato das questões que envolvem a disciplina jurídica e o respeito ao Estado de Direito?
  • Ou o Cartório de Registro que permite o Registro de um Estatuto cheio de aberrações jurídicas?

Onde vamos parar? Há respeito ao Artigo 5º da Constituição Brasileira? Tomaram conhecimento do que disciplina a Lei Pelé? Ou por acaso estão achando que a Assembleia Geral é “SOBERANA”?

Soberana a quê? Será que este grupo que se apossou da “Nova CBTKD” e os presidentes de federações, comparsas deste projeto autoritário de poder, não imaginam a entidade como uma Espécie de Vaticano, um estado independente e soberano dentro de outro País? Triste e infeliz comparação, porém didática, já que quando um sujeito começa a identificar “Judas” entre os que se afastam do seu ambicioso e autoritário projeto de poder, o mesmo já se coloca num patamar mais elevado do que o próprio Papa.

Mea Culpa

Cada vez que alguém se encorajar a sistematizar uma crítica ao modelo gestor que ocupa o poder no taekwondo brasileiro, já se sabe AGORA no que está se metendo. Porém, boa parte dos críticos, incluindo o autor deste artigo, inclusive os dois condenados em questão, não são vítimas. São, sim, sujeitos ativos na crítica e na formação de opinião no taekwondo nacional, e em partes, também responsáveis pela escalada do atual mandatário ao poder.

Ocorre que erros são para ser identificados e reparados e, neste caso, cabe também ao Coletivo dos Presidentes de Federações, figuras imprescindíveis por serem donos dos votos que cacifam estas barbaridades, colocar freio na Gestão.

Já passou da hora deste coletivo que se presta a votar ou mandar procurações para dar legalidade a decisões, em tese, questionáveis, temerárias ou irresponsáveis, em troca de zona de conforto política, dans, reserva de mercado (Exames de Faixas), subserviência, medo, omissão, indiferença ou outro interesses, pensar um pouco mais nos interesses coletivos.

Quem sabe, nos atletas, nos praticantes e até no país que banca tudo isto com dinheiro público pensando receber em troca, inclusão social e fomento da modalidade de modo que tenhamos uma sucessão de atletas vencedores, medalhistas, campeões olímpicos.

O Futuro sempre esteve em nossas mãos. É uma questão de escolha.

E se erramos nas escolhas, é continuar tentando. Isto não envergonha.

 

*O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.

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