Operação “Mela-Mela”

 

Artigo Publicado em 24/07/2012, as 23:30hs.

 

Quando a Confederação resolveu atrapalhar o Brazil Games, o mais importante Open de Taekwondo de São Paulo...


Por José Afonso*

O Brazil Games, evento de responsabilidade do Gm Yeo Jun Kim, presidente da FETESP, a federada da CBTKD em São Paulo, foi parar na justiça por conta da negativa do atual gestor provisório em exercício na CBTKD. Isto porque a confederação voltou atrás no acordo que incluiria o evento como um dos chancelado para a contagem de pontos para o SNR (Sistema Nacional de Ranking), organizado e gerenciado pela coordenação técnica da CBTKD.

De qualquer forma, a entidade nacional não ganha nada impedindo ou inviabilizado a chancela do Brazil Games no SNR (Sistema Nacional de Ranking). E já se nota um ar revanchista da parte do atual gestor provisório em exercício na CBTKD ao impor ações que dificultam a vida dos representantes estaduais que não fazem parte da sua base aliada.

E assim, está formado o imbróglio e as incertezas e entre outros revezes da justiça, no final, acabam atrapalhando apenas os atletas que atônitos, não sabem o que fazer.

Para que complicar?

O mais fácil seria manter a chancela deste evento, porque além de demonstrar maturidade política, a nossa classe dirigente facilitaria também a vida dos atletas. Além do mais, para uma entidade que burlou o seu próprio Regulamento, quando aumentou em 100% os pontos dos eventos “OPENS” de parceiros políticos, não deveria colocar muita banca, tendo em vista o risco que corre se alguém acionar a justiça para reparar tal decisão que afronta o próprio Regulamento do SNR (Sistema Nacional de Ranking) que a própria entidade criou.

Quais são as razões para justificar o Open de Natal valer 5 Pontos, o de Porto Alegre 10 e o Brazil Games de São Paulo, agora barrado no baile, não valer nada?

Para que servem mesmo os regulamentos?

Falso moralismo

Uma das justificativas que estamos vendo à “boca pequena”, inclusive em blogs anônimos que defendem a atual gestão, é dizer que o Brazil Games é um evento particular e que o dinheiro arrecadado vai para o bolso do Yeo Jun. Nesse caso, deixamos duas perguntas no ar?

  • Para onde vai o dinheiro do Brasil Open, de um dos principais técnicos da Seleção?
  • Para onde foi o dinheiro arrecadado no Porto Alegre Open, do presidente da Federação Gaúcha de Taekwondo?

Alias, falando em Porto Alegre Open, pelo jeito ficou por isso mesmo o descaso da organização neste evento último, quando fizeram que os atletas (que disputavam pontos para o SNR) lutassem madrugada adentro de domingo para segunda-feira, entre outras mazelas as quais os atletas foram submetidos. Até agora, nada. Ficou por isso mesmo!

E o 14º Open Cidade Maravilhosa 2012?

Não podemos esquecer o primeiro OPEN do ano, o Open Cidade Maravilhosa! Este evento, conforme o próprio nome diz, é OPEN! (Open de Aberto). E mesmo assim, também valeu 10 pontos para o SNR.

Porém este Open merece uma atenção especial, visto que foi um evento que deveria ser auto sustentável e até lucrativo. Porém, onerou a verba da Lei Piva em mais de R$ 30 mil, em locação de ginásio e auditório, alimentação e hospedagem para os árbitros, bem como aluguel de protetores eletrônicos.

Neste caso, com incremento público, o Open Cidade Maravilhosa, deixa de ser um evento particular. Tudo nos faz crer que foi um evento organizado pela própria entidade nacional. Assim fica fácil fiscalizar, pois basta verificar na receita ordinária da CBTKD ou na da “desfederada” federação do Rio de Janeiro, uma entrada de mais de R$ 30 mil em inscrições, na segunda quinzena do mês de Março de 2012.

E não é de se admirar que foi daí que começou a ruir o orçamento reservado para a viagem da Seleção Junior ao Egito. Mas isso já é papel fiscalizador do Conselho Fiscal e até do colegiado de presidentes de Federações, os quais deveriam se preocupar com os mandos e desmandos desta atual gestão.

Desta avaliação, surge uma interrogação: qual necessidade de cancelar a chancela do Brazil Games?

Por fim, um alerta: a soma de todas estas mazelas, desrespeito ao regulamento, mudanças de acordos firmados; tudo isto, não pode desencadear uma confusão tão grande, entre outros imbróglios judiciais, a ponto de comprometer o próprio SNR (Sistema Nacional de Ranking) e, inclusive, o processo seletivo que definirá a Seleção Brasileira de Taekwondo para 2013? Não seria esta a maior preocupação do juiz que está cuidando do caso em questão?


*O Autor José Afonso é faixa preta, praticante e ativista social no taekwondo brasileiro.

 

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