2016, antes que a vaca vá pro brejo

Artigo Publicado em 31/03/2015, as 10:30hs

Por José Afonso*

Estamos a menos de 500 dias das Olimpíadas no Brasil e, para nossa surpresa, ainda tem gente preocupada com outros interesses, em vez de investir o máximo de esforços para um melhor resultado dos atletas brasileiros no maior evento esportivo do planeta.

Não se espantem! A instituição Cartolagem Esportiva pode colocar tudo a ruir. De modo que, de nada adianta o Poder Público investir o que nunca foi investido no esporte brasileiro e nos atletas.

                             *Conheça os incentivos do governo federal ao esporte brasileiro

Observando a Seara e Olímpica Esportiva no Brasil, notaremos que de tanto criticar a Classe Política deste País, esquecem-se do que pode ser o maior gargalo da seara esportiva brasileira: a própria Cartolagem Esportiva.

Não se enganem; apesar de toda a crítica “pesar” sobre os ombros de uma Senhora de 67 anos, boa parte da nossa cartolagem se vê inatingível neste cenário no qual o Brasil se encontra.

A Bola da Vez é o Bolsa Pódio
Plano Brasil Medalhas 2016 é o responsável pelo Bolsa Pódio (Lei 12.395/2011), lançado em setembro de 2012 pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, cujo objetivo é “colocar o Brasil entre os 10 primeiros países nos Jogos Olímpicos e entre os cinco primeiros nos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro, em 2016”.

Apesar da robustez do programa e de suas pretensões, os resultados não estão garantidos e podem azedar, resultando em frustrações.

Não surpreende as suspeitas de que entidades esportivas bancadas por Recursos Públicos, advindos da Lei Agnelo/Piva (que deveriam dar sua contra partida em total apoio aos esforços pelo esporte nacional), possam estar cobrando “comissões” deste investimento, o qual deveria ser integral aos atletas à preparação individual de cada um deles, a incluir nisso o seu staff multidisciplinar.

Como isto pode estar acontecendo?
Quando o Atleta atinge desempenho internacional que o enquadre nos Critérios do Programa, ele, juntamente com sua confederação, parceira na gestão olímpica de sua modalidade, requer a Bolsa da qual passa a ter direito.

Porém, o que vem sendo ventilado é que, já que os recursos são direcionados ao atleta e seu staff, há registros sob forma de rumores e “chorumelas” de atletas persuadidos, chantageados ou pressionados a colocar um “funcionário fantasma” no seu staff ou comissão técnica, donde que alguém, “um laranja” qualquer, receba parte do tal benefício, em alguns casos, como Auxiliar Técnico, de modo que este escárnio possa chegar aos cartolas, responsáveis por exigir tal vantagem indevida, injusta e covarde.

Obviamente que o dirigente que se utilize de tal expediente sabe que o Atleta, que até então pouco teve, vai aceitar calado, sob pena de ser perseguido e expurgado de suas pretensões esportivas.

Muitos atletas, ainda jovens e de vida humilde têm medo, e podem estar aceitando, calados o que nem surpreende.

Antes que a moda pegue e a “vaca vá pro brejo”

Não basta a Coordenação do Programa divulgar os Nomes dos Atletas Contemplados, é necessário divulgar os agregados, ou seja, o corpo multidisciplinar que cada um deles indica para compor o seu staf, beneficiado ou remunerado pelo programa.

Só assim haveria um firewall ... um moro ... um bloqueio que, por conta da exposição dos nomes, inibiria parte das escusas pretensões. E tal escárnio, se confirmado, se configurará em uma covardia digna de criminalização a seus malfeitores e demonstração de total descompromisso com o desporto desta nação.

E, os atletas... quem ira os proteger?

E algo precisa ser feito, ainda que alguns atletas se sintam constrangidos por ter de expor seu staff.

Nem vem ao caso saber se a Lei da Transparência se enquadra para estes casos; o que devemos considerar é que tais investimentos são públicos e o que se espera com este investimento é um máximo de desempenho dos nossos atletas nesta Olimpíada, de modo a reposicionar nosso País no Mapa Esportivo Mundial.

E se as coisas não se saíram muito bem até agora, não há tempo para picaretagem. São menos de 500 dias para uma preparação ajustadinha, onde nada poderá ser negligenciado ou desperdiçado. Seja tempo, recursos ou preparação.

A Olimpíada é uma competição de alto nível, onde se cruzam a elite do taekwondo mundial chegando no evento no auge de uma preparação individual.

Sem falar que há países enviando seus melhores representantes onde, práticas como esta, aqui enfocadas, são inaceitáveis, inconcebível.

O alerta está dado!

Porém, deixamos aqui um registro:

Nós do Tkdlivre acreditamos seriamente que esta prática não atinge o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro, por serem seus dirigentes, antes de tudo, GRÃO-MESTRES que, como tais, antes de serem cartolas, juraram:

  • Obedecer as regras do taekwondo;
  • Não fazer mau uso do taekwondo;
  • Respeitar os atletas e demais praticantes;
  • Ser defensor da justiça e da liberdade;
  • Contribuir para um mundo mais justo e melhor.

 

*O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.

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