Entidade que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro faz alarde com resultados e se esquece de quem contribuiu efetivamente para isto.

Artigo Publicado em 23/03/2015, as 18:30hs

 

Feitos, Glórias e Injustiças

 

Por José Afonso*

 

A entidade que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro publicou no seu Site , em 20/03/2015, notícia dando conta de que as “Medalhas internacionais multiplicaram 500% entre 2011 e 2014

E para não fugir a um estilo inconfundível de se fazer política, a matéria em pauta faz questão de destacar tal “Aumento verificado na Nova Gestão da CBTKD” quando em seu primeiro parágrafo dá à tônica de tal petulância, quando assim descreve:

O Taekwondo Brasileiro está em notória ascensão e um dos fatores que o comprova é o quantitativo de medalhas internacionais conquistadas por nossos atletas, que aumentou mais de 500% nos últimos quatro anos, durante a nova gestão da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD), presidida por Carlos Fernandes.

A notícia caiu no gosto da mídia desportiva que replicou tal feito, assim como o Portal oficial do Governo Federal sobre os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, BRASIL 2016  que não embarcou na crise de megalomania da cartolagem taekwondista ao reescrever o primeiro parágrafo minimizando o papel da atual gestão como o grande responsável por tal ascensão. Reposicionando-os em suas devidas relevâncias.

E não poderia ser diferente!
A começar que, onde há Recursos Públicos bancando tais resultados, a impessoalidade se faz necessária.

Noutra perspectiva, não é possível imaginar tais resultados sem antes reconhecer o papel dos investimentos federais na modalidade, não só pelo apoio da Petrobras em bancar a Área Técnica do Taekwondo “Olímpico” Brasileiro, como o investimento nos nossos melhores atletas através de Programas do Governo Federal, como diz o Programa Bolsa Atleta:

Atualmente, são cinco as categorias de bolsa oferecidas pelo Ministério do Esporte: Atleta de Base, Estudantil, Nacional, Internacional e Olímpico/Paraolímpico. Para os atletas com reais chances de medalhas nos Jogos Rio 2016, o suporte financeiro é garantido pela categoria Atleta Pódio, para as modalidades individuais (Lei 12.395/11).”

Junto a isto, o Plano Brasil Medalhas 2016, responsável pelo Bolsa Pódio, lançado em setembro de 2012 pela presidenta da República, Dilma Rousseff, que tem como objetivo colocar o Brasil entre os 10 primeiros países nos Jogos Olímpicos e entre os cinco primeiros nos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Associa-se a estes investimentos, outros recursos que boa parte dos nossos atletas de alto nível ganham de prefeituras de São Paulo para representarem alguns municípios nos JRs (Jogos Regionais) e JAIs (Jogos Abertos do Interior) em São Paulo, além de Bolsa Atleta em nível estadual. E, não menos oportuno, o salário dos atletas que integram o Quadro de Atletas das Forças Armadas.

São estes, basicamente, os recursos que somados à disposição dos atletas e suas respectivas equipes que tem impulsionado a nossa elite taekwondista a competir no exterior em busca de resultados positivos no Ranking Internacional da WTF e Olímpico.

Justiça seja feita

 Fonte: Fan Page da Equipe no Facebook

E falando em esforço individual de atletas e equipes, justiça seja feita a Equipe de São Caetano que, como dão publicidade a seus esforços em sua Fan Page no Facebook, conquistaram somente em 2014, 34 medalhas internacionais, assim como a Atleta Iris Silva Tang Sing, de Itaborai/RJ, que deve ter chegado a umas 10 medalhas Internacionais, além de Julia Vasconcelos Santos, de  SJCampos/SP e Talisca Reis da Seleção Militar com mais 5 medalhas cada.

Falar em sucesso do taekwondo brasileiro sem levar em conta fatores como estes que destacamos é no mínimo uma injustiça.

E notem que não são poucos os atletas que confessam que a entidade que gerencia a modalidade e os recursos públicos com tal propósito, atrapalha muito mais do que ajuda. O que não seria surpresa se descobrirmos que boa parte dos nossos melhores atletas tem gastado quase tudo que ganha para se manterem em condições de ganhar os títulos que nossos cartolas se consideram proeminentes.

Não por acaso, os Recursos Públicos provenientes da Lei Piva, que custeiam a máquina administrativa para o gerenciamento da modalidade, vêm a cada ano se revelando um verdadeiro mistério.

Embora não seja foco de questionamento, devido a falta de transparência da entidade no uso deste recurso, nunca é demais lembrar que, antes, os Recursos da Lei Piva, em valores bem menos expressivos, serviam para bancar tudo: máquina político/administrativa, remuneração da Comissão Técnica e Remuneração dos atletas da Seleção Brasileira da modalidade.

Hoje, com Recursos Públicos mais fartos, nem se questiona mais o destino dos Recursos provindos da Lei Piva. O que dizer das Receitas Ordinárias da entidade, aquelas que vêm em boa parte das anuidades dos atletas brasileiros? E sem falar ainda das inscrições que cada atleta tem de pagar para poder participar dos inúmeros eventos que servem ao Ranking Nacional desta entidade, critério obrigatório para quem tem pretensões para o tal Sonho Olímpico.

Porém, não se aconselha a ninguém questionar ou duvidar do bom uso destes recursos, visto que, todos que o fizeram, não se mantiveram dentro desta tal “Oficialidade Olímpica” para ter alguma resposta.

 

 *O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.

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