Gestão que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro segue sua gana de “in” justiça.

Artigo Publicado em 13/10/2013, as 20:30hs


Primeiro levaram os comunistas
Mas não me importei com isso
Eu não era comunista

 

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

 

Depois prenderam os sindicalistas
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou sindicalista

 

Depois pegaram uns padres
Mas como não sou religioso
Também não me importei

 

Agora chegou a minha vez
Porém, já é tarde.

(Bertolt Brecht)

 


Por 
José Afonso*

 

Eis que  a onda de perseguição chega aos atletas!

 

Conforme noticiou o site oficial paralelo do taekwondo brasileiro em 10/10/13 - “STJD julga infrações disciplinares de atletas e homologa decisões, da mesma forma que a própria entidade em “Infrações disciplinares de Diogo Silva e Thiago Simões” , enfim se concretiza um enquadramento generalizado a todas as formas de manifestações críticas contra a atual gestão.  Desta vez não pouparam nem os atletas.

Está consolidada a tese: Taekwondo “Olímpico” Brasileiro,
Ame-o ou Deixe-o!

Na síntese, “no dia 7 de outubro, a Comissão Disciplinar do STJD - que representa a primeira instância da justiça desportiva – se reuniu no Rio de Janeiro em sessão pública para julgamento dos atletas Diogo Silva e Thiago Simões. Ambos haviam sido denunciados por infração disciplinar. Eles foram denunciados pela Procuradoria, pelas infrações aos artigos 243-D e F, que tipificam a incitação pública ao ódio e violência e a ofensa a alguém e sua honra.

Só esta justificativa já salta aos olhos:

  • Quando é que a crítica, resignação ou protesto de um atleta pode ser considerado “incitação pública ao ódio e violência”? ou;
  • Quem é este “alguém” que se sentiu ofendido na sua honra?

 

Não vem ao caso tentar adjetivar a postura de determinados dirigentes que, para chegarem ao poder, em busca de conquistas (bônus), não economizam discursos coerentes e bem elaborados, sem entender ou refletir sobre o ônus que acompanha o exercício do poder.

E quem não entende, tolera ou suporta a crítica, nivela sua gestão aos moldes de um autoritarismo dos mais deprimentes já visto na história da modalidade. O Taekwondo Brasileiro em mãos coreanas jamais chegou a níveis tão ultrajantes no que concerne a intolerância política.

Da mesma forma, nos chama a atenção o fato de que em nenhuma das duas notas informaram quem denunciou os atletas. Esta informação é uma das mais importantes, da mesma forma que a participação ou a postura, para este caso, dos representantes dos atletas neste tribunal.

Sobre as razões dos atletas, há de se refletir quanto ao fato de uma entidade - que recebe verbas públicas através do COB, provindas da Lei Piva, para investir na modalidade e consequentemente nos atletas - se perder quando consome a maior parte destes recursos na máquina administrativa, na burocracia ou na sustentação política de seu projeto de poder.

Sem falar é claro dos quase 10% do total dos recursos, gastos com o Staff Jurídico para defender a gestão da entidade dos equívocos que ela própria vem cometendo em desfavor da coletividade, em especial, neste caso, dos atletas.

Há de se imaginar também a situação do Atleta Diogo Silva - melhor atleta brasileiro na última Olimpíada e o maior nome da modalidade na mídia brasileira -, que vendo seu tempo se exaurir, ainda sofre sem as respostas sobre a Bolsa Pódio que teria direito. Recurso este fundamental para a preparação dele visando 2016. E o que ainda é pior para o nosso campeão, é ter de segurar calado esta frustração e testemunhar a entidade não se empenhar em resolver algo tão básico para sua sobrevivência pessoal, profissional e esportiva.

Querer punir os dois atletas por expressarem opiniões críticas ao modelo da atual gestão da CBTKD é o cúmulo do desrespeito e desserviço à modalidade e ao país que investe pesado para que as entidades nacionais cuidem bem dos nossos atletas, em especial de nossas estrelas.

Estas atitudes colocam em dúvida o entendimento sobre o papel dos dirigentes taekwondistas, aparentemente mais preocupados com suas respectivas imagens e apego pelo poder do que pelos atletas e a modalidade.

Cartolas não ganham campeonatos, nem medalhas, nem olimpíadas.
É bom que se diga!

 


Com a palavra, o “Novo STJD/TKD” da entidade.

A sorte destes atletas está lançada e nas mãos do “Novo STJD/TKD” da entidade que responde pelo Taekwondo “Olímpico” Brasileiro.

Falando em Tribunal, o atual STJD/TKD carrega o estigma de quem - atendendo a convocação, em tese, irregular, quando o atual gestor da entidade “de mal” com o STJD anterior literalmente cassado - não refletiu adequadamente sobre o que significaria (para a instabilidade institucional e legal da modalidade) ocupar o mandado de outro em curso.

Além disso, seria razoável um melhor entendimento sobre quem são realmente os membros deste Tribunal. Até mesmo de seu novo presidente. Seria bom sabermos se alguns dos auditores não teriam vínculo com pessoas que mantêm (ao longo dos últimos anos) negócios com a empresa do mandatário desta confederação.

E, em meio a um mar de ações questionáveis, sob suspeitas, sob investigação ou até questionadas na justiça, esta mesma gestão vem, ao longo dos últimos anos, acumulando um rosário de supostas irregularidades e ações questionáveis. Vamos a algumas delas:

  • Afastamento do ex-presidente JRKim, no curso do mandato, por meio de uma auditoria comprovadamente fraudulenta.
  • Atacar as mídias que o próprio gestor se beneficiou para chegar ao poder, ameaçando-as  de forma banalizada, por meio de “Notificações Extra Judiciais”;
  • Mudar deliberadamente o Estatuto Social da Entidade de modo a restringir as possibilidades de disputa no pleito eleitoral a uma única pessoa, eliminando “de quebra”, qualquer possibilidade de concorrência;
  • Afastar e desfiliar Federações históricas e legalmente constituídas por motivo aparentemente banal, simplesmente porque se opuseram às contas do exercício de 2011;
  • Cassar lideranças que ameaçavam aparentemente a estabilidade política de atual mandatário. O caso mais “gritante” foi  o de Marcelino Soares. Este foi punido por fazer denúncias, as quais, algumas delas, como as auditorias internas, a própria entidade reconheceu como verdadeiras.


Por fim, realizou uma manobra política arriscada de abreviar, encurtar ou antecipar o mandato do STJD que estava em pleno curso. Em tese, devido ao fato de não ser favorável as decisões tomadas pelo Executivo da entidade.


Eis a contradição

Por que cargas d’agua, não tiveram o mesmo empenho em levar a julgamento os responsáveis pelo afastamento do Taekwondo das “Olimpíadas Escolares” deste ano?

Por acaso, as críticas de Thiago e Diogo seriam mais danosas?


Chega a vez dos atletas!

Na foto, Diogo Silva e Thiago Simões em julgamento (Imagens publicadas no Site Bang)

Para alguns analistas, o objetivo desta ação é que pelo menos este Tribunal garanta uma punição de afastamento temporário aos dois, de modo a provocar uma antecipação no encerramento da carreira, pelo menos de Diogo Silva e, de quebra, mandar um recado aos demais que pensarem em se atrever a levantar a voz para criticar a atual gestão.


Qual o risco?

Não conformados com possível decisão desfavorável, os atletas podem levar o caso à justiça comum e, desta vez, aos magistrados, não colar o argumento de que o caso é de briga por poder. Dessa forma, a justiça poderia dar garantia aos atletas para continuarem em atividade. Aliás, a jogada em curso, utilizando-se do STJD, é arriscada, podendo causar uma derrota à atual gestão.

De qualquer forma, independentemente dos rumos que isto venha a ter, é preocupante o acúmulo de demandas judiciais que recaem sobre os ombros da entidade nacional do taekwondo. Mais tarde, uma conta pesada pode sobrar  para alguém  pagar.

A dúvida é para quem...

Quem viver, verá!!!

 

*O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.


Nota da Redação:

 

 

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