No Brasil o Taekwondo Olímpico é para poucos

Publicado em 15/08/2013, as 9:30hs

Por  Marcus Rezende*

O Comitê Olímpico Brasileiro, que deveria ser o guardião da liberdade desportiva neste país, está de costas para o interesse da massa praticante do desporto, no caso em tela, taekwondo. Isso porque a maioria dos adeptos desta modalidade no Brasil, há muito tempo, estão sendo excluídos do processo e do sonho olímpicos, o qual se inicia com a formação da Seleção Brasileira.

O taekwondo tornou-se esporte olímpico justamente por demonstrar ao Comitê Olímpico Internacional o quão uniformemente estava sendo praticado nos diversos países do mundo e por demonstrar o fator congregador, em suas competições, de todo aquele praticante interessado pelo lado desportivo da arte marcial.

Todavia, no Brasil, o processo político inverteu esta lógica. Hoje, quem decide a vida competitiva de um praticante dentro de um Estado é o presidente da federação de taekwondo, filiada à CBTKD. Além de dificultar o acesso de alguns praticantes, por mero capricho político, a maioria esmagadora dos presidentes desconsidera a Constituição Federal em seu artigoV, incisos XII,- É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer e  e XX - Ninguém será compelido a associar-se ou a permanecer associado. Eles divulgam aos quatro ventos que só podem ensinar taekwondo no Estado os professores filiados à federação que ele preside. UM MISTO DE ARROGÂNCIA E IGNORÂNCIA. Talvez interpretem o final do inciso XIII (...qualificações profissionais que a lei estabelecer)como se a lei em questão fosse a do estatuto da entidade.

E é este dirigente estadual quem recebe da confederação o poder de dar ou não o salvo-conduto ao praticante daquele estado com pretensões de chegar à Seleção Brasileira. E este salvo-conduto, o praticante só obterá se se submeter aos ditames deste que se considera o todo poderoso do esporte no Estado, bem como se curvar à banca examinadora escolhida por ele. Geralmente, esta banca é formada pelo próprio presidente, o qual recebe polpudos honorários dos praticantes que ele examina.

Assim (nesta perspectiva) o cerco se fecha para o praticante, porém as peças não se encaixam para os dirigentes. Isso porque, quem está na ponta de tudo são os abnegados professores e mestres de taekwondo deste país, os quais são os verdadeiros responsáveis pelo fomento da modalidade e pela formação dos atletas.

A maioria deles, conscientes desta arbitrariedade imposta pelo poder destas federações, acaba voltando seus ensinamentos dentro do Dojan para o aspecto marcial da modalidade e abandonando o lado competitivo. E dessa forma, em todos os estados, a situação se repete.

Só para exemplificar o poder de destruição desta política desastrosa comandada pela Confederação Brasileira de Taekwondo, justamente a Federação de Minas Gerais, a mais congregadora deste país e que possui o maior número de praticantes registrados em território nacional (mas que também não se exclui dos resquícios desta doença chamada BANCA EXAMINADORA), foi ditatorialmente desfiliada. Isso porque o vice-presidente mineiro resolveu contestar as contas do mandachuva da CBTKD. No lugar dela puseram uma Comissão temporária para administrar o taekwondo do Estado. Resultado: a tal Comissão realizou recentemente uma seletiva para o campeonato Brasileiro deste ano a portas fechadas e o número de participantes chegou às margens do ridículo.

Sendo assim, é correto afirmar que o COB tem culpa significativa nesta situação caótica que se encontra o taekwondo brasileiro, pois poderia fazem alguma coisa em prol do esporte. No mínimo ser mais incisivo junto à CBTKD, no sentido de fazê-la congregar os faixas-pretas de todos os pontos do país, independentemente de serem filiados às federações de origem, para que estes praticantes deixem de ser reféns dos grilhões estaduais e possam competir com suas equipes nos eventos nacionais. Porém, se deixar por conta do Presidente da CBTKD (outro refém dos presidentes das federações), a coisa vai ficar do jeito que está e o taekwondo brasileiro vai permanecer estagnado.

Diante dos fatos, o COB não pode se omitir, devendo tomar frente desta situação para o bem da modalidade enquanto esporte olímpico.


O Autor, Marcus Rezende é Faixa-preta (6º Dan) de Taekwondo, formado em Comunicação Social e articulador do Blog Taekwondo Opinião. Primeiro Coordenador Nacional da primeira Equipe Olímpica Permanente (EOP). Supervisor Técnico da equipe de Taekwondo do Centro de Artes Marciais Highway One. Comentarista do SporTV nas Olimpíadas de Sídney, Atenas, Pequim e Londres, dos Jogos Pan-Americanos do Rio, Mundial e Jogos Mundiais Militares 2011.

 

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