Taekwondo "Olímpico" Brasileiro, ame-o ou deixe-o

Artigo Publicado em 13/08/2013, as 9:00hs

 Por José Afonso*

Respondendo ao leitor que tem dúvidas.

Desta vez, vamos atender ao pedido de ajuda de um praticante do Estado “X” que pede orientação por conta de ter procurado a federação “oficial” de seu estado, aquela ligada ao esquema WTF/COI. Por ser 2º Dan da Liga Nacional, mesmo tendo sido examinado pelo GM Sang Min Cho, fora orientado, para ter seu registro normalizado à entidade nacional (via a federada estadual), a pagar R$ 500,00 por Dan conquistado com seu suor frente a um grão-mestre, além, é claro, das respectivas taxas de registros, anuidades etc.

Infelizmente, ficamos sem saber o que é pior:

  • Se é o fato de se ver obrigado a pagar honorários de exames a um Mestre/Dirigente estadual que nunca “moveu uma palha” para este praticante chegar onde chegou;
  • Se é Colocar em dúvida a validade de um exame assinado por Sang Min Cho;
  • Ou se é cobrar para reconhecê-lo.

Mas o fato é que é esta a nossa realidade: Conforme-se ou se ajuste!

Há dois fatores presentes na Cultura Taekwondista “oficial” brasileira:

  1. Estar ou não estar filiado à Entidade que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro depende da afinidade política que cada um tem com os cartolas que controlam a modalidade na ocasião ou, da capacidade de subserviência que cada um se dispõe a ter aos mesmos. Esta cultura nunca foi muito diferente.
  2. Dirigentes de entidades esportivas, como os do Taekwondo, não são remunerados. Por conta disto (e da necessidade de mantê-los sob as rédeas do poder central) é que a entidade nacional, através de regulamentos, concede a estes presidentes estaduais tal Reserva (controle) do Mercado de Exames de Faixa para ser explorado por eles (cartolas estaduais), os quais compartilham da ordem vigente e que, por sua vez, reproduzem a mesma cultura no exercício do poder regional.

Este 2º caso é o que podemos chamar de ganho como contra partida em troca da afinidade aos interesses do comando da entidade nacional. Ou também, o clássico: “uma mão lava a outra”.

Estas duas lógicas dão a tônica a um estilo de gestão bastante questionado, visto que, além de cuidar de um Coletivo Taekwondista de grande relevância, são também beneficiários de Recursos Públicos destinados ao gerenciamento da modalidade.

Há Regras?

Sim... Depende... Quem sabe.

A WTF, entidade na qual as entidades “oficiais” se agarram para sustentar a tal oficialidade, se basearia no regulamento de exames de faixa da Kukkiwon, porém, temos um outro regulamento nacional, que parece não levar muito em conta o Regulamento Internacional (KKW). Sua elaboração e interpretação, em tese, acaba sendo útil para sustentar a lógica de controle político que se questiona. E se agrava quando, muito destas regras, seguem a interpretação dos interesses políticos da ocasião o que contribui para um cenário cada vez mais caótico e desanimador.

Mas não se surpreenda prezado leitor, esta cultura tem sustentado “n” casos bastante lamentáveis, entre estes, destacamos:

  • O caso de um mestre 5º Dan de dentro da esfera “oficial” graduado em outro estado, quando quis voltar para seu estado de origem foi informado de que para voltar, mesmo sendo registrado à entidade nacional, teria que pagar pelo seu Dan ou ficar na graduação de antes.
  • Em outro, o sujeito entra no Taekwondo em 1998, alcança a Faixa Preta em 2001, faz bobagem, é pego, processado, julgado e condenado. Neste ínterim, enquanto cumpre a pena, flerta com outra entidade e por lá também se gradua para 2º ou 3º Dan. Mais tarde, por conta de novos arranjos políticos, torna-se presidente da federação no mesmo estado. Com isso, surge a facilidade do exame para 4º Dan, no qual paga com cheque sem fundos, implicando em registro nacional negado. Porém, com o jogo político mudando, ele se bandeia para uma “Nova Situação” e não só aquece seu registro como pula para o 5º. Agora, possivelmente, 6º Dan.

A mesma lógica que permite estas discrepâncias, também questiona um Exame cacifado por Sang Min Cho.

Portanto, caro leitor, como outros tantos que nos escrevem demonstrando tal indignação, já que nos pedem orientação, lá vai. Para quem pretende participar ou levar seus alunos a Sonhar com a possibilidade de uma vaga Olímpica:

  • Se dobre e acate;
  • Não se dobre e fique de fora; ou
  • Tente a sorte provocando a justiça.

Mas para esta última alternativa, não se espante em ver Dinheiro Publico usado pelos dirigentes, para se defenderem de você mesmo.

Há também a possibilidade de se conseguir um Certificado da Kukkiwon por outros meios e participar do circuito internacional sem depender do aval da CBTKD e, daí, garantir pontuação no ranking mundial. Esta seria uma forma de estar competindo entre os melhores. Porém, esta saída não refresca muito visto que o que conta mesmo é sabermos que aqui no Brasil, embora que o Poder Público banque Recursos para a Modalidade, o seu acesso não é tão simples assim.

Entendam que, mesmo sendo a modalidade na sua versão “oficial” sustentada basicamente por Dinheiro Público, a coisa é bem controlada, tão exclusiva quanto excludente e seu acesso não é tão democrático como deveria.

Apesar da farra ser bancada com o dinheiro de todo o Povo Brasileiro...

Não é para todos os brasileiros.

Muito sugestivo isto!

 

*O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.

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