COB & TKD, uma combinação “in”perfeita

 

Artigo Publicado em 04/07/2013, as 14:00hs

Sobre a atabalhoada relação da Confederação que controla o Taekwondo Brasileiro com o Comitê Olímpico Brasileiro .

 

Por José Afonso*

 

Conforme matéria no LANCENET! desta terça feira, 03/07/2013,  “Em nota, COB afirma que comissão para investigar CBTKD não será mais criada”, “O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) emitiu uma nota oficial nesta terça-feira afirmando que não será mais criada uma "Comissão Especial Temporária" para investigar possíveis irregularidades na Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD)”. Tratando do mesmo tema, o Site Terra também publicou “Em nota, COB descarta criação de comissão para investigar CBTKD”.

E mesmo que o COB garanta que, “...dentro dos estritos limites de sua competência, continuará verificando a correta aplicação dos recursos repassados à Confederação Brasileira de Taekwondo e acompanhará eventuais demandas, judiciais e / ou administrativas, que possam estar relacionadas com a referida Entidade, de modo a, se necessário, adotar as providências cabíveis...”, deixou a impressão que houve alguma trapalhada quando, ao que parece, perdido e sem critérios, demonstra através de seu Site Oficial:

Nota I, disponível em  http://www.cob.org.br/noticias -         Nota II, disponível em  http://www.cob.org.br/noticias

Tão logo o COB divulgou a 1º Nota à Imprensa quando “...decide criar Comissão Especial Temporária independente para apurar possíveis irregularidades na CBTKD”, o Tkdlivre já colocava as “barbas de Molho”em“Taekwondo Brasileiro e sua “nova direção” sob suspeitas e investigação ao alertar:


...Muita calma nesta hora...se esta comissão assumir uma postura conservadora, de modo a dar ‘apenas’ uma resposta pragmática às reivindicações e conter na raiz possíveis mobilizações, tudo este esforço poderá dar em nada. Da mesma forma, questionamos: ..Estaria o COB fazendo ‘um teatro’ em sintonia e a serviço do gestor do taekwondo brasileiro?".

Por enquanto é prematuro opinar sobre os reais motivos deste “foi, mas não foi”... Quando parecia que ia. No entanto, o caso merece uma reflexão entre outras considerações.


O COB no “olho do furacão”

Infelizmente o Comitê Olímpico Brasileiro perdeu grande oportunidade de mostrar sua força e liderança ao deixar as coisas como estão, deixando também, na nossa perspectiva, de ser um elemento neutro na contenda.

Como já percebíamos, alguns erros inexplicáveis, ou seja, ainda que por omissão, já que ninguém se manifestou do contrário, teria partido do COB um dos fatores que contribuíram de forma decisiva para a instabilidade institucional por que passa a modalidade, conforme Edital abaixo:

Assim, fica difícil negar que o Comitê Olímpico Brasileiro foi decisivo ao sustentar, conforme este Edital, as MUDANÇAS ESTATUTÁRIAS que iniciaram este imbróglio, principalmente por ter interferido de forma incisiva no destino dos taekwondistas através destas mudanças as quais, em pelo menos 3 pontos, foram determinantes:

  • Eliminou, atrapalhou e excluiu concorrentes, garantindo assim uma reeleição sem risco para o atual gestor;
  • Interferiu no controle disciplinar do coletivo taekwondista de modo a facilitar expurgos de lideranças críticas e desfiliar entidades que se opunham ao projeto político de poder em curso;
  • Eliminou itens que tinha como função a fiscalização de atos do executivo da entidade, deixando seu gestor sem freio, travas e limites.


Aliás, as mudanças deste último ponto é inconcebível para uma entidade beneficiária de Recursos Públicos!


Contradição, indiferença, omissão ou ação política premeditada?

Os fatos indicam contradição, visto que o COB, agora, por conta das Denúncias em curso, entende que não cabe ingerir nos imbróglios internos da Confederação, porém, em Novembro/2011 e também em Outubro/2012 não teve o mesmo critério ao ingerir e cacifar, “determinando” e “homologando” as Mudanças Estatutárias na Entidade para somente “depois” a Assembleia Geral (poder máximo e soberano da entidade) se reunir para aprová-las. O que sugere algo muito desconexo entre tais decisões.

Afinal, ingere ou não?

O que podemos entender com isto:

  • Para interferir na vida orgânica e institucional da Entidade, em um suposto desrespeito a sua autonomia administrativa, o COB ingere;
  • Para apurar denúncias de má gestão, entre outras mazelas envolvendo os Gastos de Recursos Públicos provindo da Lei Piva, o mesmo não se acha competente para ingerir.


Há algo estranho nisto, o que sugere inclusive, esclarecimentos.

Sobre isto cabe lembrar o que o Tkdlivre publicou em 24/02/2012, “Análise do Estatuto da CBTKD - Uma contribuição ao debate, quando assim escrevemos:

Observem bem o Edital da AGE que convoca os Federados para a AGE e seu ÚNICO propósito:
Para não restar dúvidas, vamos nos deter no principal, o Item “a) Análise, deliberação e votação para a alteração do Estatuto da CBTKD conforme prévia determinação e homologação do Comitê Olímpico Brasileiro - COB;

Não dá para acreditar que o Comitê Olímpico Brasileiro tenha determinado e homologado um estatuto absurdamente inconstitucional, ainda mais em ano Olímpico. Nem acreditamos que o COB se submeteria e se exporia diante do inconstitucional texto estatutário. O que sugere até um pedido de explicação à entidade.

 

Segundo erro, duplo!

Coincidência ou não, bastou o Tkdlivre detectar erros irremediáveis provocados pelas mudanças no Estatuto Social da Entidade em 21/Novembro/2011, quando em 13/07/2012, publicamos: “Estatuto da CBTKD inviabiliza o Processo Eleitoral!!!”, reforçado no mês seguinte, no dia 26/08/2012, em “Os fatos, a contradição e o complexo jogo político no taekwondo brasileiro”, que as duas entidades trataram de acusar a atabalhoada medida ao tentar reparar os erros cometidos em novembro/2011, ao convocar:


Disponível em: http://www.cbtkd.com.br/principal/institucional/editais_licitacoes/editais_e_atas.asp (acessado em 04/07/2013, as 10:00hs)

Este Edital conforme creditamos ao COB, o envolve em outro erro, desta vez em dose dupla!!!

No dia seguinte a publicação deste Edital, o Tkdlivre já tentava dar luz ao que ocorria, em “Novidades na vida orgânica da CBTKD”.

Ora, se a ideia da Dupla COB/Confederação era alterar o Estatuto Social da Entidade de 02 04 2007 e para isto convocaram a Assembleia Geral para “Análise, deliberação e votação para a alteração do Estatuto da CBTKD conforme prévia determinação e homologação do Comitê Olímpico Brasileiro - COB;” e, entre outros pontos. aprovaram:

O que aconteceu para que em menos de 1 ano ter de “Rerratificar” este estatutonovamente, se em decorrência da Lei é que não foi?

Neste caso, seria correto supor que o COB errou em dose tripla, visto que:

  •    ... ingeriu onde não deveria;
  •    ... admitiu que o Estatuto por eles antes, homologado e determinado continha erros, e;
  •    ... afrontaram o art. 73 do Estatuto, em tese, em vigor, e por eles determinado, homologado e aprovado em AGE, que determinava que o mesmo, não poderia ser modificado no prazo de 4 anos, salvo em decorrência da Lei, o que não é o caso.

Ao que tudo indica, 3 erros inadmissíveis!!!

Sabendo que ao comparar as duas versões dos estatutos (2011 & 2012), as mudanças foram para “desengessar” o processo eleitoral quer estava comprometido, conforme o Tkdlivre alertou em 13/07/2012.

Porém, o mais grave desta vez foi que as mudanças foram para “Reratificação de artigos...que foram modificados "NOVAMENTE" por determinação do COB”, onde nem citaram quais "artigos", o que seria mais aceitável.

Depois, se constatou que foi mudado, bem mais do que apenas “Ratificação de artigos...”, como pode ser constatado ao confrontar os estatutos (Nov/2011 & Out/2012).

Em resumo:

  •    ... em 08/11/2011 Edital onde o COB homologa e determina;
  •    ... em 21/11/11 a ASSEMBLEIA GERAL da Entidade aprova e meses depois;
  •    ... em 02/10/2012 Edital para nova Ratificação do Estatuto Social da Entidade, e "NOVAMENTE", por determinação do COB;
  •    ... em 05/10/12 a ASSEMBLEIA GERAL da Entidade aprova sem questionamentos;

 

Há de se considerar que os 2 últimos pontos ocorreram em pleno curso eleitoral, quando deixaram as coisas mais "arrumadas", para uma eleição segura do mandatário no comando provisório da entidade como ocorreu no início deste ano.

E não querem que lideranças históricas, alijadas do processo,  ainda reclamem, reduzindo o conflito a "chorumelas da oposição", o que é outro grande absurdo!


Obs.:
Para um melhor entendimento da Novela “Estatuto Social na “Nova Gestão” que ocupa o comando “Olímpico” da modalidade, vale conferir artigo de 05/02/2013, “Estatuto Social da CBTKD em ‘transe’.

 

Jogo político sim, mas, não para amadores

Fala-se tanto de uma suposta oposição e até da polarização com o Atleta Diogo Silva como aconteceu recentemente, mas vamos considerar que os Recursos da Lei Piva tem como prioridade a Modalidade no seu aspecto Esportivo e Olímpico. Neste caso, os maiores interessados, são também, as maiores vítimas: Os Atletas e suas respectivas Comissões Técnicas. E estes são mais resistentes a manifestações, visto que, além de comporem um grupo politicamente mais frágil, nunca falta alguém para ocupar seus espaços, não importando muito em quais circunstâncias.

Não por acaso, a gestão que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro na ocasião, tem sido bastante condescendente como os mestres do Rio de Janeiro, pois, se a Sede do COB fosse em SP ou MG, já dava para imaginar o tamanho do tumulto que bateria em sua porta.

Doutra sorte, esta história ou a animosidade do COB poderia ser outra.

 

*O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.

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