Presidente se mostra despreparado para lidar com uma situação que ele próprio provocou

Artigo Publicado em 01/07/2013, as 22:00hs

Diogo Silva, pela sua contribuição ao Taekwondo Brasileiro, merece mais respeito, ao invés de ser usado como fumaça para desviar o foco das denúncias que pesam conta a atual gestão.

Por José Afonso*


Presidente da Confederação que controla o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro coloca modalidade em crise, assim como em risco o bom nome da Entidade que representa. E não adianta “espernear” como fez ao ser questionado pelo GloboEsporte.com, muito menos dissimular como fez em Nota Oficial à Imprensa em 24/6/2013 no Site “oficial” da entidade.

As denúncias não são novidades, muito menos coisas de uma oposição que mal existe. A não ser as lideranças estaduais de MG, SP e RO e que foram expurgadas da CBTKD, da mesma forma que as entidades estaduais que comandam (desfiliadas pelo único fato de se oporem ao projeto político em curso ou por não aprovarem as contas da entidade como ocorreu com o exercício fiscal de 2011). Não poderia ser diferente, já que, mais tarde, a própria entidade, através de Sindicâncias Internas, acusou os erros.

Cartola polemiza com Diogo Silva

E como se não bastasse tentar calar a mídia crítica, com processos ou notificações extrajudiciais, como fez ao longo de 2011 contra os Sites Tkdlivre, TaekwondoNews e Bang (este resolveu se tornar aliado), agora se volta contra os atletas, a exemplo do que fez ao se envolver em polêmica com o melhor atleta brasileiro da modalidade na última olimpíada, Diogo Silva: único atleta nacional entre os 10 melhores do mundo na modalidade.

Diogo é polêmico e não se omite. Não por acaso, a imprensa foi em cima dele pra saber sua posição sobre as denúncias em curso e o atleta não "amarelou". Dentro de uma perspectiva própria, deu sua opinião.

Infelizmente, o atual mandatário da entidade não sabe lidar com as críticas e vem procurando rotular nosso atleta com “chavões” já manjados. “Diogo Calado é um poeta”. Negativo!!! O Diogo sempre foi assim.

E entre os atletas em atividade é um dos mais politizados, críticos e o maior ativista do Taekwondo Brasileiro. Diogo Silva tem crédito de sobra pra isso, diferentemente do atual gestor da entidade que vem de mal a pior desde que assumiu, de forma questionável, a entidade no final de 2010, quando retirou JRKim acusando-o de gestão temerária por meio de uma auditoria que se apresentara independente e que mais tarde se revelou, reconhecidamente pela própria entidade, fraudulenta.

Nota Oficial à Imprensa mais dissimulada do que explicativa

A Nota Oficial é de uma infelicidade a toda prova, visto que em vez de explicar o que está ocorrendo com o taekwondo nacional e as razões que provocaram estas denúncias que levaram o COB a tomar uma providência, tenta através das mudanças (no apoio da Petrobras) dar desculpas para o corte de verbas aos atletas, como se isso fosse o principal problema.

Sem contar que, já que optou por este caminho, deveria explicar o que aconteceu para a Petrobras/IPM ter colocado as “barbas de molho” com o taekwondo nacional, assim como expõe de forma espontânea a subjetividade dos critérios de escolha dos 10 atletas que continuariam bancados pelo projeto. Metade deles do Paraná, estado de um dirigente/técnico, grande parceiro político do atual gestor e voto certo em qualquer Assembleia.

Da mesma forma que não explicaram se houve cortes na comissão técnica, o que, por lógica, e bom senso, deveria ter sido proporcional ao corte dos atletas. O que dá uma margem de razão à crítica de Diogo Silva.

Gastos com a Lei Piva sob suspeitas

Nesta mesma nota, a entidade declara que o orçamento atual da Lei Piva na entidade está distribuído da seguinte forma:

  • Fomento da Modalidade - 34%
  • Preparação técnica - 30%
  • Organização parcial de competições nacionais - 17%
  • Manutenção parcial da entidade - 19%


Obs.:
Há de se considerar que o orçamento atual desta Confederação para 2013 está orçado em 1,5 Milhões de Reais em Dinheiro Público provindo da Lei Piva (Fonte desta Informação).

Imaginamos que a informação destes percentuais possa ser inconsistente ou questionável, visto que há uma enorme diferença entre os 19% (R$ 285.000,00) destinados aos gastos com a "Manutenção parcial da entidade" e o que é possível que aconteça na prática. Pois, ao considerarmos que praticamente toda a despesa administrativa da entidade, principalmente com pessoal, sai deste orçamento, a burocracia administrativa da entidade pode estar consumindo algo próximo à metade deste aporte, sem se levar em conta as despesas com a assessoria jurídica da entidade que pode estar consumindo 10% do total deste orçamento.

Da mesma forma que é questionável os 17% (R$255.000,00) em “Organização parcial de competições nacionais”. Neste caso há uma velha crítica dos atletas que pagam para participar de eventos autossustentáveis, porém, bancados total ou parcialmente com recursos da Lei Piva. Para um melhor entendimento, o Campeonato Brasileiro Interclubes deste ano gerou uma receita à entidade em torno de R$ 90 mil. Daí,  não se justifica, da mesma forma que em outros eventos, despesas costumeiramente lançadas no orçamento que vem através dos recursos da Lei Piva (Via COB).

Mais estranho ainda são os 64% (R$960.000,00) destinados ao "Fomento da Modalidade" (34%) e "Preparação técnica" (30%). Do que estariam se referindo, já que não há registros de fomento algum à modalidade?

Estariam se referindo a cursos específicos da seara marcial, destinados a mestres bem acolhidos por esta gestão. Se assim for, não poderia ser bancados pelas Verbas da Lei Piva.

Outro fato relevante são as suspeitas de que despesas de viagens de dirigentes estaduais, parceiros políticos ou simpáticos a esta gestão (que sob o pretexto de um curso qualificatório qualquer, se deslocam até o Rio de Janeiro para participarem de Assembleias Gerais com o propósito de aprovar medidas em favor do próprio mandatário ou de sua gestão), sejam lançadas neste Orçamento. Esta informação pode ser facilmente checada se os tais cursos aconteceram em datas bem próximas às datas da AGs da entidade.

Ou quem sabe, não haja também lançamentos ou registros de despesas de viagens do atual mandatário,  que tem se deslocado por todo o país para fazer Exames de Faixa e, aparentemente, faturando com honorários destes examinados, já que os Exames não são de graça (Conferir o Site da entidade), e este serviço é considerado também da Seara Marcial e não Olímpica.

Em resumo, para que os nossos questionamentos não caia no campo da leviandade, é muito estranho imaginar onde seriam gastos algo em torno de R$ 510 mil em "Fomento da Modalidade" e mais R$ 450 mil em "Preparação técnica".

R$ 960.000,00 em "Fomento da Modalidade" e "Preparação técnica" não se sustenta!

A informação exposta como explicação às denúncias em curso revela outras suspeitas a serem também apuradas. Obviamente que, se a Lei da Transparência para gastos com Dinheiro Público, como se aplica neste caso, fosse levada a sério por esta Gestão, muitas destas suspeitas estariam devidamente esclarecidas.

Destempero + Despreparo = Absurdo!

O mais lamentável, para quem conhece as razões que levaram o atual mandatário da entidade a se meter neste mar de denúncias, críticas e reclamações está no fato deste dirigente fugir das acusações com argumentos que beiram ao ridículo.

Pior ficou ao tentar desqualificar o Atleta Diogo Silva “a quem chamou de mentiroso e ingrato” conforme matéria no GloboEsporte.com. Neste caso, o cartola se atrapalhou e falou bobagens.

E o que é irônico, nem calado o nobre dirigente leva jeito para “poeta”. O dinheiro em questão, que foi para o Atleta Diogo Silva, tinha este mesmo objetivo, seja ele vindo da Lei Piva ou do Aporte da Petrobras; ou seja, o dirigente nem deu nem aumentou nada. Ele não fez nada mais nada menos que a obrigação dele; afinal de contas, Diogo era atleta Olímpico, não poderia ser diferente.

Além do mais, dizer que fez favor ao atleta usando Dinheiro Público é um tanto lamentável. Envergonha a modalidade.

Fugiu, escamoteou, dissimulou, se estressou... E as respostas?

Infelizmente nem a imprensa, nem a população, tampouco o coletivo taekwondista ficou sem saber questões simples:

  • Porque alterar o Estatuto Social da Entidade em nome do COB para fazer mudanças que lhe favoreceu diretamente?
  • E as irregularidades em Auditorias e Consultorias, no que deu? Alguém foi responsabilizado?
  • E as expulsões de lideranças da modalidade e desfiliação de importantes federadas sob  pretextos inócuos visando exclusivamente tirar do caminho tais lideranças e entidades opositoras?
  • E a exclusão do Taekwondo dos Jogos “olímpicos” Escolares no Brasil este ano, excluída por mazelas supostamente envolvendo pessoas ligadas a esta gestão. O que foi apurado? Alguém responsabilizado?


Estas, entre outras críticas que recaem sob a "Nova" Confederação, continuam sem respostas ou mal esclarecidas.

Não nos parece muito digno, usar o Diogo e desqualificá-lo para que sirva de fumaça, de modo a ofuscar os reais imbróglios que permeiam as denúncias que chegaram ao COB e à grande imprensa.

Alguém já comunicou ao atual mandatário da entidade que a pressão vai aumentar logo após a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e se complicar de vez após os Jogos Olímpicos de 2016?

Quantas vezes o Tkdlivre alertou sobre o que está acontecendo?

2016 nos espera...

Quem viver, verá!

 

*O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.

Nota da Redação:
¹ O Tkdlivre, não necessariamente concorda com o conteúdo dos artigos publicados e assinados neste Site. O artigo em questão reflete exclusivamente a opinião do autor, e assim, da sua inteira responsabilidade.
²  De qualquer forma, aos questionamentos que este artigo sugere o Tkdlivre, se coloca de antemão, a disposição para, a quem interessar possa, exercer o Direito de Resposta ou fazer o Contraditório.

___________________ &&& ____________________