Taekwondo Brasileiro não vai bem

Artigo Publicado em 10/06/2013, as 10:00hs


Não se pode confundir o prestígio que o País tem no exterior, por conta do boom econômico que tem vivido, com a imagem do Taekwondo Brasileiro. São duas coisas bem distintas.

 

 

A reunião do Conselho da WTF, realizado na sede do Comitê Olímpico Internacional, em Lausanne, Suíça, em 07/06/2013. Esta reunião durou cerca de cinco horas, a mais longa dos 40 anos de história da entidade.


Por José Afonso* 

Conforme se noticia na grande imprensa, o Brasil foi derrotado na disputa para sediar o Mundial de Taekwondo de 2015. A Rússia foi o país escolhido para sediar o evento.

O Evento, se realizado no Brasil, seria um bom teste para o taekwondo nacional que no ano seguinte sediará os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, como aconteceu com a China antes de realizar sua Olimpíada. Sobre isto alguns atletas já choraram o leite derramado em 08/06/2013 - “Taekwondo: brasileiras afirmam que país carece de estrutura para Mundial”.
Mesmo que pouco se fizesse para trazer esta competição para o Brasil, ainda assim, o País era forte candidato para sediar tal evento por conta de alguns fatores que nos favorecem no momento, além do precedente chinês. Entre eles:

  • O boom econômico que o Brasil vive ao longo dos últimos anos;
  • Boa imagem que o País tem no exterior;
  • Copa do Mundo de Futebol em 2014;
  • Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016.

Estes fatores por si só, já colocariam o País como forte candidato a sediar este evento. Porém, a derrota brasileira pode indicar outros detalhes decisivos. Entre eles, podemos conjecturar que:

  • A imagem do Taekwondo Brasileiro está dissociada do prestígio do Brasil no exterior ;
  • Baixa influência e prestígio do Taekwondo Brasileiro no cenário mundial;
  • Ausência de uma estrutura profissional preparada, competente, bem articulada e com credibilidade junto a WTF e suas filiadas;
  • Percepção na WTF e no exterior do complexo momento que vive o Taekwondo Brasileiro, causado por conflitos, exclusões e desfiliações de entidades com legitimidade institucional;
  • Involução nos resultados do Taekwondo Brasileiro no cenário taekwondista internacional;
  • Taekwondo Brasileiro altamente dividido, com um contingente muito grande de Mestres e Faixas Pretas atuando à margem do controle oficial da modalidade.

A Palavra dita

Em Entrevista no YouTube em 04/06/2013 (acesso em 10/06), durante um minguado evento da Kukkiwon ao Brasil neste mês (Junho/2013), questionado sobre a Candidatura do Brasil para o Mundial de Taekwondo em 2015, o presidente da Entidade que controla o Taekwondo “oficial” Brasileiro foi incisivo ao declarar:

“Olha, esse é um sonho que eu tenho certeza que vai ser realizado porque quem me conhece, sabe que eu não entro pra perder. Entro pra ganhar...”

Ops!!!

Ocorre que perdeu! O Taekwondo Brasileiro perdeu! Denotando que a declaração acima foi precipitada e infeliz. Sem falar que um pouco de humildade e cautela não faz mal pra ninguém.

Neste sentido podemos fazer outras reflexões sobre o estilo gerencial desta atual gestão, entre estas:

  • Alardear que “não entro pra perder” ou “entro pra ganhar...”, não quer dizer muito, nem garantia de vitória;
  • A ideia do blefe político como estilo de gestão. Onde nada, pouco ou o insuficiente teria sido feito para fortalecer ou garantir o nosso suposto favoritismo. Mas se as condições favoráveis tivesse sido suficiente para o Sucesso do Brasil nesta disputa, iriam se arrogar de vencedores.

Do Boom econômico no Brasil ao Crash do Taekwondo Brasileiro

Esta derrota pode também indicar que o Brasil e o Taekwondo Brasileiro não compartilham da mesma imagem e respeito no exterior. Da mesma forma que, entre a Presidenta Dilma Rousseff e o Presidente da Entidade que controla o Taekwondo “oficial” Brasileiro há diferenças gritantes de estilos.

A começar que a primeira prefere "o barulho às vezes dolorido da imprensa livre ao silêncio das ditaduras", enquanto que o segundo, nem tanto.

Há de se considerar também que não basta o bom momento que o Brasil tem vivido e sua consequente exposição positiva no exterior, é necessário um grande trabalho na modalidade, de modo a reposicionar positivamente o Taekwondo do País no cenário internacional.

Outra questão a ser considerada é que, apesar do forte investimento governamental à modalidade, a coisa se apequenou.

Não por acaso, os reflexos são inevitáveis, entre eles,  "Petrobras reduz apoio a atletas olímpicos e promove 'afunilamento'”, onde o “Número de bolsistas cai de 105 para 64. Magic Paula diz que foram mantidos os atletas que têm expectativa de bom desempenho no Rio 2016

Nesta toada, seria oportuno perguntar:

Quem esta ganhando com este modelo político que dirige e controla a modalidade no País?

 *O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.

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