O Sinistro Momento do Taekwondo Brasileiro

Artigo Publicado em 07/05/2013, as 00:33hs

Invariavelmente, os problemas, quando se acumulam, mais dia menos dia, acabam estourando como uma bomba de previsão incerta e inesperada.

Por José Afonso*

Enganam-se os que pensam que está tudo tranquilo na gestão do Taekwondo “OFICIAL” Brasileiro. Iludem-se os que acreditam que a atual gestão se livrou de problemas ao expurgar descontentes, críticos ou opositores. Erra ainda quem aposta na lentidão da justiça como salvaguarda para empurrar problemas para frente, certos de que ao varrerem estes dissabores para baixo do tapete da politicagem descompromissada, as divergências ou conflitos serão sanados ou esquecidos.

Esta é uma estratégia altamente arriscada e imprevisível, visto que a atual gestão do Taekwondo “Olímpico” Brasileiro precisa cuidar de dois pontos altamente relevantes e de suma responsabilidade:

  • O interesse coletivo de um grupo bastante expressivo de cidadãos brasileiros e
  • O Gerenciamento de Recursos Público.

A principal entidade que cuida desta seara, por exemplo, pode ser uma entidade de caráter privado, porém precisa ter como preceito básico, mais responsabilidade com seu coletivo e compromisso social. Ambas as premissas parecem estar além da percepção de seus dirigentes, visto que, esta perspectiva vem se perdendo, em tese, pelos inúmeros conflitos judiciais e extrajudiciais em que seu grupo gestor tem se envolvido nos últimos anos. Alguns questionáveis, outros banais, mas quase todos por motivos fúteis.

Geralmente na origem destes Imbróglios Judiciais vem a falta de entendimento, quando negam-se a aceitar o Ônus das Críticas que recaem, sempre, sobre o cidadão que incorpora um Papel de Ator Social; ou seja, que se dispõem a assumir o comando de entidades que gerenciam interesses públicos ou coletivos.

Cenários que se repetem

Em 2003, tive uma tensa discussão com o GM JRKim. Na época, ele era Vice-Presidente da CBTKD. Isso se deu por conta de impasses políticos na gestão do TKD/RN. Por falta de paciência ou argumentos, o velho mestre perdeu as estribeiras e sugeriu que eu fosse “cuidar da minha vida” e deixar o gestor da FETERN, na época, a federada “oficial” no Rio Grande do Norte, em paz. Sem perder o respeito, entendi o recado e fiz apenas uma ponderação:

“Mestre, eu não sou o problema, o PROBLEMA são os PROBLEMAS. Eles não deixarão de existir mesmo eu indo ‘cuidar da minha vida’, como o senhor sugere.”

Já se passou uma década deste episódio e como podemos notar a situação atual do Taekwondo “Olímpico” Brasileiro, ao que parece, em nada mudou.

De nada adianta tentar calar a crítica, se “o PROBLEMA são os PROBLEMAS” e continuam, em tese, se multiplicando. Assim, de nada adianta:

  • Afastar-se ou fugir dos questionamentos;
  • correr do debate;
  • calar a crítica;
  • expurgar velhos taekwondistas;
  • eliminar lideranças políticas;
  • impedir concorrentes nos processos eleitorais;
  • desfiliar federações opositoras;
  • muito menos manter uma exagerada política administrativa que culminou com várias demissões de colaboradores da entidade nacional.

Isto não ajuda nem serve de orgulho a gestor algum!

O taekwondo nacional precisa encontrar um equilíbrio coletivo, além de políticas (administrativas e esportivas) mais inclusivas e agregadoras.

De nada adianta fingirmos que está tudo bem, muito menos “taparmos o sol com a peneira”.

Não demora, alguém vai pagar a conta por estas questionáveis ações políticas e quando isso acontecer, possivelmente os grandes penalizados será a modalidade, a instituição e os atletas.

Depois de YMKim/JRKim, ninguém mais engana ninguém!

Alguns se calam por apatia ou inércia política; outros, por estratégia de sobrevivência, sabedoria e falta de opção; alguns por subserviência, medo e covardia. Há até os casos de oportunistas que se aproveitam destas ocasiões para se reposicionarem no mercado e até darem questionável consistência a lastros marciais vazios. Há ainda aqueles renomados que (jogados ao esquecimento pelo próprio sistema que ajudaram a implantar), passam a defender o mesmo sistema ao perceberem que podem voltar a fazer parte dele novamente.

E como ninguém engana mais ninguém, é desnecessário manter uma perspectiva gestora de características ego centrista no comando da modalidade, visto que, em tese, isto pode desencadear uma série de desconfiança e desesperança dentre seu respectivo coletivo.

Será que ficarmos assistindo é a melhor solução?

 

*O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.

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