Taekwondo “Olímpico” Brasileiro: Qual seria a contra partida da Entidade “oficial”?

Artigo Publicado em 13/04/2013, as 23:30 hs


Por José Afonso*

Nota sobre declaração para Bolsa Atleta

Data: 9/4/2013

A CBTKD informa que todos os atletas que solicitaram ou vão solicitar a Declaração para pleitear o Programa Bolsa Atleta deverão ter a sua situação regularizada junto da federação estadual e confederação. Assim sendo, o atleta terá que estar com as anuidades em dia, pelo que a de 2013 deverá estar liquidada.

Desta forma iremos encaminhar esta semana o boleto de cobrança da anuidade de 2013 aos atletas que solicitaram a declaração, sendo que aqueles que já pagaram a sua anuidade 2013 deverão ignoram este envio e nos encaminhar seus comprovantes de pagamento para o e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

Logo que pago o boleto de anuidade, deverão ser enviados os comprovantes de pagamento para O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

Assessoria de Imprensa da CBTKD

Fonte: http://www.cbtkd.com.br/principal/noticias_cbtkd/view.asp?id=1596

 

A nota em questão merece reflexão, visto que trata da Vida dos Atletas que se fizeram merecedores desta ajuda individual do Governo Federal através do Programa Bolsa Atleta.

Mesmo assim, a Gestão que cuida do Taekwondo “Olímpico” Brasileiro faz a sua parte em forma de um possível, desserviço à Nação. O que nem chega ser novidade. Vejamos:

Se o Atleta conquistou este benefício, por qual motivo a tal Entidade “oficial” da modalidade no País faz imposições aos atletas merecedores?

Notem que: “A CBTKD informa que todos os atletas que solicitaram ou vão solicitar a Declaração para pleitear o Programa Bolsa Atleta deverão ter a sua situação regularizada junto da federação estadual e confederação. Assim sendo, o atleta terá que estar com as anuidades em dia, pelo que a de 2013 deverá estar liquidada.

Se levarmos em conta que:

  • ... o responsável por esta gestão excluiu (de modo, até então considerado como precipitado, atabalhoado e ou autoritário) federações tradicionais em plenas condições legais, criando em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rondônia uma crise institucional de possíveis desdobramentos na justiça;
  • ... isto vem causando uma tremenda confusão no coletivo taekwondistas destes estados, principalmente na vida dos atletas; quando muitos, nem sabem pra onde correr.


Tal medida da atual Gestão - que cuida do Taekwondo “Olímpico” Brasileiro - nos faz crer que agora, para a Entidade fazer a “sua” parte no Programa Federal, indicando os merecedores, ela estaria, supostamente, se aproveitando desta oportunidade para obrigar tais atletas a se ajustarem aos interesses políticos desta gestão para que não percam tal beneficio.

Além de ser uma medida questionável e impositiva, há outros problemas, a exemplo do que ocorre nos estados onde outra federada foi empurrada goela abaixo do seu coletivo para satisfazer os interesses políticos e estratégicos dos dirigentes que exercem temporariamente o “poder” no Taekwondo “olímpico” Brasileiro.

Estaria o Governo Federal através destes Programas ajudando o Dirigente taekwondista da ocasião a viabilizar e consolidar seus projetos políticos? Não!!! Não acreditamos nisto.

A interpretação que fazemos é a de que a Entidade que cuida do Taekwondo “Olímpico” Brasileiro, beneficiada de várias formas (direta e indireta) de “Recursos Públicos” provenientes do Governo Federal (Lei Piva, Ministério dos Esportes, Petrobras, etc.), não entende o significado de “Sua” Contra Partida, cuja retribuição à sociedade a entidade deveria prestar em compensação ao que recebe da própria sociedade através dos Programas do Governo Federal.

Publicar a informação seria uma obrigação e um serviço aos atletas como Contra Partida neste processo onde o Governo Federal é o grande Parceiro da Entidade e maior Patrocinador da Modalidade. Todavia, em vez disso, exigem regularidade junto às federações e pagamento de suas respectivas anuidades.

Resumindo: O Desserviço à Nação vem acompanhado de imposições descabidas e contrário a liberdade de associação. E para que a nossa Elite Dirigente entenda ou discuta junto ao seu Staff Jurídico, também pago com Verbas Públicas:

Art. 5º - XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;

A letra da lei é clara. Mas pra quê cumpri-la, quando acham normal fazer as próprias leis?


E outra:
O benefício não foi adquirido no Exercício Esportivo do ano anterior?

Neste caso, cobrar por algo que nem a Entidade é responsável por arcar, como a Bolsa Atleta, acaba parecendo uma espécie de “pedágio”.

E como se não bastasse:

  • ... o Dinheiro da Lei Piva sendo consumido pela máquina administrativa e política da Entidade, quando nada se vê de repasse aos Atletas...
  • ... promovem uma Segregação Esportiva, mantendo o Sonho Olímpico restrito apenas aos atletas que se submetem as exigências desta Entidade...
  • ... fazem estes atletas viajar por todo o País em busca de “pontos” no Ranking Nacional da Entidade para merecer a tal Bolsa, acarretando transtornos e endividamento pessoal ou familiar...
  • ... eventos, quando custeados com Dinheiro Público, onde, invariavelmente cobram as taxas de inscrição destes atletas...

 

Só nos resta a nossa solidariedade aos atletas e lamentar profundamente.

Lamentar nem tanto pelos dirigentes que temos, visto que a Cultura da Cartolagem tem se revelado um verdadeiro “câncer”, presente em inúmeras instituições esportivas deste País. Já que esta cultura não é exclusividade desta modalidade.

Mas lamentar sim, visto que no Taekwondo o atleta para chegar até a condição de ser merecedor do Programa Bolsa Atleta, precisa de 3 a 5 anos de treino (no mínimo) para chegar à Condição de “Atleta Faixa Preta”. Isso seria:

Um Curso de aproximadamente 50 mensalidades e também não menos de oito Exames de Faixa para, enfim, chegar ao caríssimo Exame de Faixa Preta, cuja tabela é lastreada ilegalmente em 2 Salários Mínimos, os quais, invariavelmente, vão para os bolsos da cartolagem taekwondista, deixando (MUITAS VEZES) o próprio professor ou mestre do aluno a “ver navios”.

Fora isto, tem mais custos: Registro na Kukkiwon, Registro e Anuidade na Federação Estadual, Registro e Anuidade na Confederação Nacional e Anuidade da WTF/GMS (Licença Global da Entidade “Olímpica” do Taekwondo Mundial).

Ou seja, há um mercantilismo sem fim. Quando no final, são os praticantes, atletas e academias e até o Governo Federal os que pagam a conta. Ah sim...

Não nos esqueceremos das despesas adicionais ou consequentes, como viagens de avião, hospedagens, refeições, traslados, entre outras. Dobok`s, protetores pessoais, material de treino, nutrição/suplementação, fisioterapias, outros equipamentos, etc.

Obviamente que estas entidades esportivas ainda reivindicam a tal condição de Entidades de Caráter Privado e Sem Fins Lucrativos, onde seus dirigentes se sentem por demais incomodados quando recebem críticas e chegam ao ponto de correr para a “barra da saia” da justiça para defenderem suas honras.

A prática que começa a virar Cultura na modalidade parece que no fim das contas, só querem é ser blindados do inevitável, que são as críticas e as consequentes cobranças. Algo que deveria normalmente fazer parte da cota do ônus de quem concorre ao poder em cargos públicos ou a gestores de Entidades de gerenciamento de Interesses Coletivos.

Não é demais lembrar que estas entidades, ainda têm suas receitas próprias (ordinárias). Mas que, por conta da falta de transparência e devida publicidade nas prestações de contas, acabam virando verdadeiras "Caixas Pretas". Mas neste caso, é bom que ninguém questione isso, visto que todos os que tentaram (inclusive os gestores da - FETESP, FTEMG e FETRON) foram sumariamente desfiliados junto as respectivas estidades.

A reflexão em questão e os questionamentos subsequentes tem virado um exercício complexo e perigoso. E isto sugere que no momento em que vivemos no Taekwondo Brasileiro se faz necessário muita cautela nas críticas ou observações, pois até o exercício legal e democrático de um cidadão em questionar os destinos dos Recursos (que são Públicos) ou os da própria entidade que deveria acolher a todos os taekwondistas, sem distinção, podem magoar ou ofender a honra de algum Dirigente mais sensível.

Ainda assim, antes de se sentirem ofendidos, há interesses coletivos e obrigações à sociedade que merecem prioridade.

Eis nosso Papel Social e Cidadão.

 

*O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.


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