CBTKD precisa de uma alternativa de gestão

Artigo Publicado em 15/03/2013, as 18:00hs

Quando um cidadão abdica de suas atribuições civis, legais ou estatutárias acaba, invariavelmente, virando uma espécie de marionete nas mãos de outros interesses. Saindo no lucro se, mais tarde, não for responsabilizado pelos atos que; por omissão, inércia, apatia ou subserviência, delegou a outro.

 

Por José Afonso*

Mesmo que a Confederação que administra o Taekwondo “Olímpico” Brasileiro represente apenas uma parte do taekwondo praticado neste País, a entidade assume um papel de relevância por ser a única diretamente beneficiária de Dinheiro Público. E não é pouca coisa!

Ao considerarmos que esta entidade mantém uma política excludente, de modo a beneficiar a estabilidade política dos seus gestores, além de reservar o controle do Mercado de Exames de Faixa no Brasil para uma elite dirigente, não é concebível que esta entidade com a função de gerenciar Recursos Públicos, mantendo todos os seus funcionários remunerados pela Verba da Lei Piva, atue livre de qualquer fiscalização ou questionamentos.

O atual Grupo de Presidentes de Federações Estaduais que “agora” dão maioria absoluta ao atual gestor, ao colaborar ou concordar com a desfiliação de três Federadas (FETRON, FETESP e FTEMG), as quais ousaram questionar os atos desta gestão e não aprovar as contas do exercício de 2011, cometeu um desserviço à Nação.

É um tanto contraditório se aglutinarem em torno do Poder Central este Grupo de Dirigentes Estaduais. Eles dão ao atual gestor 100% de complacência. E isso em um universo de inúmeras denúncias de irregularidades, entre outros atos questionáveis de precipitação, irresponsabilidade e truculência é inconcebível.

Além do contrassenso (numa “unanimidade burra”, como diria Nelson Rodrigues), todos colocam em risco a credibilidade da modalidade e de todo o coletivo taekwondista. Inclusive o de outros taekwondistas que nem se submetem, nem bebem nesta fonte.

E tudo se agrava quando este grupo é justamente os que compõem o colegiado que define o nome do mandatário. São eles que têm por obrigação estatutária fiscalizar e colocar freios nos atos da Gestão através do Poder “soberano” da Assembleia Geral.

Obviamente que pelo estilo imposto, se alguém deste grupo ousar questionar os atos do Comandante da Entidade, é sumariamente desfiliado pelos próprios pares, sem o menos pudor.

E do jeito que anda esta Assembleia Geral, subserviente e autopredadora, ela se tornou uma “instância de poder” que merece ser estudada. Notem que um “poder” como o dela, ao se submeter condescendente a outro “poder”, o da Presidência, perde totalmente sua credibilidade e assume consequentemente sua total irrelevância.

Uma reflexão oportuna

Nem todos estão se atentando para o modelo de gestão que se apossou do taekwondo nacional. Não faz muito tempo, na época da ascensão do atual presidente da entidade, articulava-se a queda de JRK. Chegou-se até a se ventilar se o atual gestor (ávido para assumir o lugar do velho coreano) seria o “barqueiro da transição” ou uma liderança capaz de encontrar o equilíbrio para o bom funcionamento da modalidade, há décadas mergulhas em divisões e conflitos.

Ainda é muito cedo para formarmos uma ideia do que este momento vai representar para o futuro do taekwondo nacional. Porém, pelo estilo autoritário e precipitado desta gestão, já dá para entendermos que ainda não surgiu uma liderança capaz de minimizar velhos gargalos e conflitos inerentes da vida esportiva e institucional do Taekwondo Brasileiro.

Gostem ou não, nem se trata de defesa alguma do retorno do velho mestre, já que o ideal é andarmos para frente; Todavia, a última liderança que o taekwondo brasileiro teve foi Yong Min Kim. Este pelo menos sabia ser político.

Uma oposição necessária

Embora não haja uma oposição organizada, como foi a do atual gestor para tomar o mandato de JRKim no final de 2010, ha de se considerar que no momento temos apenas críticos e descontentes. Uns, da parte da mídia crítica, já perseguida, cassada e processada no decorrer de 2011 e o outros, formados por dirigentes que foram desfiliados após a AGO de Prestação das Contas (exercício 2011), em março de 2012, juntamente com suas respectivas federações.

Sobre esta oposição, ainda que encontre condições políticas de atuar, está sendo formada por lideranças expurgadas dos quadros da entidade. Não há outro jeito, visto que sob esta gestão quem esboça alguma crítica ou contestação, também será expurgado sumariamente.

Tomara que não demore muito para termos a ordem democrática e institucional restabelecida, antes que seja tarde.

Já que depois, não encontraremos ninguém para pagar a conta.

Quem sobreviver verá.

 

*O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.

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