Rumos incertos para o Taekwondo Nacional

Artigo Publicado em 06/03/2013, as 08: 00hs


 Por José Afonso

Como já se imaginava, as Eleições na CBTKD vinham sendo tratadas às escondidas. Ainda que não surpreenda pelo estilo imposto pela Gestão Provisória que se apossou da entidade depois de orquestrar o afastamento do Titular do Mandato, JRKim, imaginava-se um pouco mais de transparência, visto que a Entidade é gestora de Verbas Públicas. Infelizmente, confirma-se o pior cenário possível.

Vale lembrar que esta situação começou a tomar rumos questionáveis a partir do início de 2011, com o isolamento da entidade e uma notável segregação do taekwondo na sua versão olímpica sob o controle desta atual gestão, ao se afastar e afastar completamente qualquer perspectiva democrática e de participação de seu coletivo.

A entidade se isola, principalmente quando se fecha às críticas, cassando e punindo críticos e expurgando entidades federadas, bem como dirigentes que ousaram e ousam questionar os atos de seu provisório gestor.

No final de 2011 (21/11/2011) a tendência toma forma quando se altera o Estatuto Social da Entidade com a complacência do COB, quando os itens alterados favorecem de forma estratégica e proposital os interesses políticos eleitoreiros do seu provisório gestor. A partir daí ficaria inviável qualquer possibilidade de uma chapa opositora ousar disputar a Sucessão na Entidade.

As Mudanças foram tantas e de forma tão amadora que inviabilizaram o Processo Eleitoral. Por conta disto, e depois de vários alertas do Tkdlivre, convocaram outra AGE para “ReArranjar” tal Estatuto Social, com a desculpa de uma suposta “ReRatificação” fizeram um outro, desta vez mais ajustado às pretensões política eleitorais e óbvia permanência no poder do seu gestor provisório.

Inacreditavelmente, tal peça, tida como homologada pelo COB, poda em vários pontos os mecanismos de fiscalização e controle dos atos do seu gestor, mesmo em se tratando de uma entidade beneficiária e praticamente dependente de Verbas Públicas. Um contrassenso! Impressionante a complacência do COB e demais presidentes de federações.

Porém, isto não tem sido o bastante; tal gestão tende a uma obsessão pela unanimidade que, quando surgem federadas dispostas ao contrário, mesmo que para cumprir sua função estatutária, a desfiliação sumária é o recurso usado sem a menor cerimônia. Exemplos disso foram as desfiliações da FETRON, FETESP e FTEMG.

Porém o caso mais absurdo deste processo é a falta de transparência e publicidade deste Processo Eleitoral. Desde 30/09/2012, prazo absurdo de 180 dias de antecedência para Inscrições das Chapas, que nada é divulgado, informado ou noticiado. Seis meses de antecedência, no mínimo por excesso de preciosismo. A troco de quê?

Agora, depois de todo este tempão, Convoca-se uma AGO para a toque de caixa, fazer a tal Eleição. Quando, nem ao nem ao menos divulgaram as chapas inscritas. É como se os rumos da CBTKD e do Taekwondo “Olímpico” Brasileiro pertencesse a não mais de 3 dezenas de iluminados dirigentes.

E como se não bastasse toda estes arranjos políticos à sombra da Publicidade e do Princípio da Transparência, ainda convocam no dia anterior um tal de III Congresso Nacional de Taekwondo, “...dirigido às Federações filiadas, no qual são ministradas palestras sobre diversos temas de interesse dos participantes”.

Considerando a falta de Publicidade e Transparência, como não desconfiar de que isto é apenas uma disfarce para justificar um financiamento, possivelmente com Dinheiro Público, para os presidentes de federações se deslocarem ao Rio de Janeiro e se fazerem presentes à tal AGO, já que para esta Eleição, estão tomando o cuidado de evitar a cultura das procurações, de modo a darem um ar de credibilidade e unanimidade ao evento e terem presentes presidentes estaduais em número significativo, os quais formam um Colégio Eleitoral que irá eleger uma Chapa, sabe-se lá composta por quem, para o Quadriênio 2013/2016.

Diante destes acontecimentos, já não importa mais quem seja a chapa candidata; ela será, inevitavelmente, eleita por unanimidade. E quem se atreveria a votar contra?

Por conta deste cenário político e do modus operandis explicito neste modelo de gestão que elimina críticos e demais federadas que se opõe ao seu Projeto de Poder, não importa mais as condições do que venha a acontecer neste pleito. A seriedade do processo e a credibilidade da Chapa Eleita já estão comprometidas.

Não há glória.

Muito menos o que se comemorar.

Da mesma forma, a sensação do quanto pode estar sendo comprometido o futuro da modalidade nesta década.

Quem sabe, um Bye Bye 2016...


*
O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.


Nota da Redação:
¹ - O Tkdlivre, não necessariamente concorda com o conteúdo dos artigos publicados e assinados neste Site. O artigo em questão reflete exclusivamente a opinião do autor, e assim, da sua inteira responsabilidade.

² - De qualquer forma, aos questionamentos que este artigo sugere o Tkdlivre, se coloca de antemão, a disposição para, a quem interessar possa, exercer o Direito de Resposta ou fazer o Contraditório.

 

_________________&&&_________________