Taekwondo Brasileiro, ladeira abaixo.

Artigo Publicado em 14/02/2013, as 13:00hs


Em ritmo de "Quarta-Feira de Cinzas", o Taekwondo Brasileiro vai descendo a
ladeira e os foliões, embriagados, parecem não perceber o bonde sem freio.


Taekwondo Nacional vive, e não é de agora, horizontes turvos, rumos incertos e perspectivas sombrias...

 

 

Por José Afonso*


Quando publicamos em 05/11/212, "Precisamos “Restaurar o Sistema” no Taekwondo Brasileiro", não estávamos falando bobagem, muito menos sendo imprudentes. A proposta não era inoportuna. Ela confirma o bom entendimento e a sintonia do Tkdlivre em relação aos problemas que assolam o Tkd Nacional, assim como uma razoável percepção na leitura dos fatos.

A ideia de se fazer as Alterações Estatutárias, aprovadas na AGE de 21 de Novembro de 2011, foi, e continua sendo, infeliz, inoportuna e desnecessária. Pior, criou uma bagunça institucional na entidade, além de detonar uma Crise Política Interna sem precedentes.

O leitor começa a perceber que não havia necessidade disso ou algo que colocasse em perigo uma eleição segura do vice que assumiu o lugar do Titular do Mandato depois de articular sua cassação. O assunto, exaustivamente discutido e alertado, confirma a máxima de que quem muito quer, pouco tem, escrito em 08/04/2012, "De tanto querer, muito a perder".

Além destes, foram diversos os questionamentos ao longo de 2012. Muitos deles nunca respondidos, debatidos ou questionados.

Hoje os acontecimentos ou desdobramentos reforçam a ideia de que houve um erro de origem:

As razões que sustentaram o Edital de Convocação da AGE que iria mudar os rumos do taekwondo nacional não se sustentou, como ainda não se sustenta, tampouco foi esclarecido até o momento.

E se o Edital NÃO FOI “...conforme prévia determinação e homologação do Comitê Olímpico Brasileiro - COB;”, foi por outras razões, enganosas, talvez.

Convém destacar que, se o conteúdo do Edital não corresponde com a verdade, ou seja, não houve REALMENTE prévia determinação e homologação do COB, todos os procedimentos resultantes deste Edital são plenamente NULOS. Neste sentido todas as demandas originadas desta AGE de 21/11/2011 não deveriam se sustentar. Eis as razões da necessidade de uma literal Restauração do Sistema Taekwondista. Resumindo: deve-se apagar tudo e começar de novo, como estava até a fatídica data de 21/11/2011.

Dessa forma, até a Decisão Judicial de 30/11/2012 do Juiz da 48ª Vara Cível, da Justiça Carioca (quando determinou que “Nem o Estatuto anterior, nem o registrado com alterações”), pode também não valer, pelos motivos acima expostos, já que o COB nunca determinou nada!!!

Mesmo assim, vale registrar queo texto de redação original, aprovado na tal AGE, dando conta de que o magistrado disse valer (até onde se tem notícia), que nunca houve o registro, muito menos divulgação pública. Registrado mesmo foi aquele que, em tese, o Juiz disse não valer por ter sido “...registrado com alterações”.

O que nos remete a outros questionamentos:

  • Será que o Juiz foi alertado sobre os erros, vícios ou equívocos contidos no Edital de Convocação de 08/11/2011? Possivelmente não!
  • Será que avisaram ao Juiz sobre a possibilidade de o COB nunca ter determinado ou homologado nada? Possivelmente não!
  • Por acaso há algum documento que comprove tal determinação do COB? Possivelmente não!


O Fato é que hoje há elementos que nos fazem ter a convicção de que o COB se limitou apenas, como faria a pedido de qualquer outra confederada, em enviar a qualquer confederação um Modelo de Estatuto para ajustes, adequações ou sintonias se necessário fosse. Porém, analisando o modelo proposto, enviado espontaneamente à nossa redação por um ex-funcionário da entidade, ativo na época deste processo, não há nada de extraordinário no modelo de referencia. Nada que transcenda à normalidade legal, de modo a desrespeitar a autonomia das confederadas. Todavia, cumprir requisitos legais não satisfaz a esta “ nova” gestão autoritária, egoísta e egocêntrica.

Um bom exemplo disso se vê no artigo que define as exigências para que alguém ouse concorrer ao cargo de presidente com o único possível candidato, o atual presidente provisório em exercício.

Vejamos:

1º Caso - Enquanto o "Estatuto da Era YMKim", de Abril/2007, expõe em seu Art. 5º - Para ser eleito para os poderes eletivos da CBTKD, além de ser brasileiro nato ou naturalizado, deverá ser capaz de exercer plenamente direitos e obrigações na ordem civil: (Restrições conforme determina a Lei)

2º Caso - No "Estatuto da Discórdia", o de 21/11/2011, Registrado em Cartório em 27/01/2012, passa  ser assim:

“Art. 5º. Para ser eleito membro dos poderes eletivos da CBTKD além de ser brasileiro nato, deverá ser capaz de exercer plenamente direitos e obrigações na ordem civil, satisfazendo ainda os seguintes requisitos:

 

  • Ter mais de 40 (Quarenta) anos de idade;
  • Ter completos 5 (cinco) anos como Presidente de Federação Filiada ou já ter exercido o cargo de presidente da CBTKD;
  • Gozar de reputação ilibada;
  • Ter se destacado como dirigente ou colaborador na área desportiva ou atleta;
  • Conhecer, respeitar e cumprir os princípios estabelecidos por este Estatuto;
  • Não ter vínculo empregatício com entidade de direção ou pratica desportiva;
  • Não estar mais em competição;”

(Inelegíveis ou Restrições conforme determina a Lei)

3º Caso - No "Estatuto do Remendo", o Aprovado mais adiante na AGE de 05/10/2012 e Registrado em Cartório em 31/10/2012, as exigências não mudaram, apenas depois de alertados pelo Tkdlivre em Estatuto da CBTKD inviabiliza o Processo Eleitoral!!!, trataram de dizer que no caso do Vice Presidente, apesar de eleito e de ter de ser gabaritado para substituir o Presidente, inclusive se o mesmo for cassado, por exemplo, NÃO HÁ MAIS, nesta versão, a necessidade dos mesmos pré-requisitos. O que reforça a ideia de que as exigências servem apenas para eliminar possíveis concorrentes.

4º Caso - No Modelo enviado pelo COB, não se fala nada sobre este assunto. Apenas o seguinte:

Art. 16 - Somente ocuparão cargos em qualquer poder ou órgão da ..... os maiores de 18 anos. (Restrições conforme determina a Lei)

... Fora outros pontos destas alterações que tiveram o mesmo objetivo.

Desta forma, o bom senso nos faz crer que antes deste comprometido e contaminado Processo Eleitoral ou Sucessório em curso, que o responsável por esta Provisória Gestão dê as devidas explicações. É o mínimo que se espera de alguém que almeja se firmar como uma liderança confiável  junto ao coletivo taekwondista.

Como ficam as coisas...

Por conta destes fatores, não há como sustentar este Processo Sucessório. As vísceras estão expostas!!! Nestas alturas, o processo já está bem mais do que comprometido.

Evidentemente que o atual gestor provisório da entidade, mesmo conseguindo protelar o imbróglio na justiça, inclusive dando tempo para sacramentar sua eleição, perdeu a credibilidade neste processo.

Vale destacar também que, diante deste confuso Processo Eleitoral, o período de inscrições das chapas se encerraram em 31/Set/2012!!! E pasmem, até hoje não foi divulgado uma nota sequer sobre as chapas inscritas ou que se credenciaram ao pleito.

Ao se confirmar que a ÚNICA CHAPA inscrita é a do próprio gestor provisório, único beneficiado com a própria lambança (assim como o vice, certamente alguém do seu núcleo pessoal e particular), fica de antemão a ideia de que ao pôr um Vice da sua confiança e de seu controle pessoal, mesmo que depois de eleito venha a ser afastado, ele continuaria mandando por meio de um suposto “laranja”. O que, ao se confirmar, seria outro absurdo!!!

Soluções...

Não se sabe o que pensam os Presidentes das Federações Estaduais, Membros da Assembleia Geral da Entidade, nem se eles já perceberam o perigo que correm ao não estabelecer mecanismos de freio a esta gestão que, ao contrário da INSTITUIÇÃO, é transitória.

Quais esperanças para o Taekwondo Brasileiro?

Atônita, a modalidade experimenta um momento atípico de sua história. Um estado de exceção na Ordem Institucional do Taekwondo “des”organizado pela CBTKD.

A coisa é tão absurda que além de fazerem Alterações Estatutárias que beneficiam apenas um único interessado, ainda permitem que o mesmo reúna seus parceiros políticos e expulse ou desfilie quem achar politicamente oportuno ou conveniente.

Basta querer...

Onde isto vai parar ...

 

*O Autor José Afonso é faixa preta, professor, praticante de taekwondo e ativista no taekwondo brasileiro.

Nota da Redação:
¹ O Tkdlivre, não necessariamente concorda com o conteúdo dos artigos publicados e assinados neste Site. O artigo em questão reflete exclusivamente a opinião do autor, e assim, da sua inteira responsabilidade.
²  De qualquer forma, aos questionamentos que este artigo sugere o Tkdlivre, se coloca de antemão, a disposição para, a quem interessar possa, exercer o Direito de Resposta ou fazer o Contraditório.

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